Ninguém viu.
O Brasil precisa diminuir a taxa de juros.
O Brasil, o Indivíduo, o Mercado e assim vai.
Quem são Eles?
Alguém já viu o Brasil por aí?
O Luis Inácio se elegeu.
O Povo elegeu.
Muitas coisas aconteceram por lá e nada mudou, nada vai mudar.
Alguém precisa fazer alguma coisa.
Alguém, Brasil, Povo, Indivíduo, Mercado, Eles e assim vai.
Tu viu o Mercado por aí?
Tu viu Alguém por aí?
Se a taxa de juros não cai, o Brasil não vai para frente.
Se a taxa de juros cai, a inflação toma conta.
A Inflação, a Taxa de juros, o Brasil, e assim vai.
O Judiciário está comprado, o Legislativo está financiado.
Todo mundo sabe disso.
O Brasil sabe, o Judiciário sabe, o Legislativo sabe, o mercado sabe, o indivíduo sabe,
Todo mundo sabe e assim vai.
Alguém viu esses filhos da puta?
Esses que andam por aí e não fazem nada?
Alguém já viu um Filho da puta nascer?
Alguém foi apresentado pro Brasil?
Alguém já tomou uma ceva com o Mercado?
Alguém já traçou a dona Inflação?
Foda, tu viu Alguém por aí?
Que o pariu!
É difícil achar alguém pra botar a culpa.
Comentários, críticas ou sugestões: gafn1@hotmail.com
Tuesday, October 31, 2006
Maria, 3 filhos, meia idade, faxineira, favelada.
O amor tem várias formas
Cores, sabores, tamanhos, vestes, sons, nuances
Pode ser bom, ruim, não ser nem bom, nem ruim
Amor pode ser só amor
Amor pode gerar sentimentos inexplicáveis
Isso é o amor.
Tem várias formas de amor.
Não sei se são as várias formas que se parecem ou
Se é o próprio amor a mesma coisa sob formas diferentes
Tão versátil e tão auto-suficiente que mimetiza todas elas
Tão auto-suficiente que não deixa ninguém defini-lo
O amor teima em se mostrar indefinível
Amor teima
Quem ama teima porque o amor é teimoso
Amor é união?
Amor é apego?
União química, combustão?
Mas se for combustão, não acho que seja o fogo.
É só a combustão.
Mas amor é o momento?
Amor ocupa lugar no espaço?
E se não ocupa, existe?
Teimosamente tenta - se definir o indefinível
Tenta se porque algo de estranho afeta a todos nós de uma forma semelhante
Cumplicidade do ser humano.
Somos cúmplices das formas diversas de se sentir estranho
Afetado, inseguro, incapaz, perdido, doente, cabisbaixo, anoréxico
Somos todos vítimas da reação química
Química orgânica, Bioquímica
Decepção, pois se é química, o amor não tem lirismo
Se é química, não é arte, não tem essa beleza
Mas e o lirismo que nos faz senti-lo?
Se não é tão belo por natureza, porque é instigante?
A ciência é instigante
O amor é ciência?
Não.
Amor não passa de teimosia, não passa de um evento súbito-permanente-atemporal
Ele é auto-suficiente, é egoísta, existe por si só
É multifacetado justamente porque é teimoso e egoísta, justamente porque é insaciável
Assume todas as formas que forem possíveis
É tão orgulhoso e egoísta que convence todos e vence qualquer licitação
Não mede esforços
Amor é uma entidade
Quase uma instituição
A mais bem sucedida de todas
A mãe de todas as religiões
Mas religião não é amor.
Amor não tem teoria,
Não tem bula.
Não se ensina e não se aprende.
Amor existe, mas ninguém viu.
É fato consumado
A única definição do amor é:
O amor é feminista, auto suficiente, moderno, manipulador
Não precisa de ninguém pra ser feliz, nem pra chorar.
É besteira, amor não chora, nem sorri.
Amor não tem rosto.
Só brilha, pulsa, vibra ...
Amor não tem nome?
Não tem idade?
Não tem padrão?
É tudo.
É complexo.
Engana.
Apaga tudo.
Eu estou errado.
Pensando bem, amor é mulher saiu pra trabalhar e deixou as crianças com o marido.
To quase chegando na conclusão de que o amor se chama Maria.
Tem 3 filhos, meia idade, faxineira, favelada.
Filho mais velho traficante, morreu pela polícia.
Agora é líder comunitária e fundou uma ó-ene-gê.
Adotou mais 3.
Ela trabalha o dia todo, lava, passa e faz comida pras crianças.
Bota o mais novo pra dormir e é sempre a última a pregar o olho.
Chora no banho para não ficar inchada. Não menstrua. Tem problema no joelho.
O marido morreu quando o mais novo ainda estava no ventre.
Cria as crianças sozinha.
Se amor não for Maria,
Então não sei mais nada.
É incondicional.
Amor também poderia ser homem e se chamar Hilário.
Empresário, atarefado, pai e viúvo.
Liderar um grupo de executivos, mas não se atrasar pra buscar a Mariana na escola.
Convencer a menina a comer moranga, ficar quieto, mas morrer de ciúme do Paulo,
adolescente, que invade a história em meados do ensino médio e não sai do quarto dela.
Tá, então fica combinado, o amor pode ser tipo isso...
E todo resto é Paixão.
O poemeto acima foi escrito por mim em meados de 2002, publicado em 31 de Outubro de 2006.
Cores, sabores, tamanhos, vestes, sons, nuances
Pode ser bom, ruim, não ser nem bom, nem ruim
Amor pode ser só amor
Amor pode gerar sentimentos inexplicáveis
Isso é o amor.
Tem várias formas de amor.
Não sei se são as várias formas que se parecem ou
Se é o próprio amor a mesma coisa sob formas diferentes
Tão versátil e tão auto-suficiente que mimetiza todas elas
Tão auto-suficiente que não deixa ninguém defini-lo
O amor teima em se mostrar indefinível
Amor teima
Quem ama teima porque o amor é teimoso
Amor é união?
Amor é apego?
União química, combustão?
Mas se for combustão, não acho que seja o fogo.
É só a combustão.
Mas amor é o momento?
Amor ocupa lugar no espaço?
E se não ocupa, existe?
Teimosamente tenta - se definir o indefinível
Tenta se porque algo de estranho afeta a todos nós de uma forma semelhante
Cumplicidade do ser humano.
Somos cúmplices das formas diversas de se sentir estranho
Afetado, inseguro, incapaz, perdido, doente, cabisbaixo, anoréxico
Somos todos vítimas da reação química
Química orgânica, Bioquímica
Decepção, pois se é química, o amor não tem lirismo
Se é química, não é arte, não tem essa beleza
Mas e o lirismo que nos faz senti-lo?
Se não é tão belo por natureza, porque é instigante?
A ciência é instigante
O amor é ciência?
Não.
Amor não passa de teimosia, não passa de um evento súbito-permanente-atemporal
Ele é auto-suficiente, é egoísta, existe por si só
É multifacetado justamente porque é teimoso e egoísta, justamente porque é insaciável
Assume todas as formas que forem possíveis
É tão orgulhoso e egoísta que convence todos e vence qualquer licitação
Não mede esforços
Amor é uma entidade
Quase uma instituição
A mais bem sucedida de todas
A mãe de todas as religiões
Mas religião não é amor.
Amor não tem teoria,
Não tem bula.
Não se ensina e não se aprende.
Amor existe, mas ninguém viu.
É fato consumado
A única definição do amor é:
O amor é feminista, auto suficiente, moderno, manipulador
Não precisa de ninguém pra ser feliz, nem pra chorar.
É besteira, amor não chora, nem sorri.
Amor não tem rosto.
Só brilha, pulsa, vibra ...
Amor não tem nome?
Não tem idade?
Não tem padrão?
É tudo.
É complexo.
Engana.
Apaga tudo.
Eu estou errado.
Pensando bem, amor é mulher saiu pra trabalhar e deixou as crianças com o marido.
To quase chegando na conclusão de que o amor se chama Maria.
Tem 3 filhos, meia idade, faxineira, favelada.
Filho mais velho traficante, morreu pela polícia.
Agora é líder comunitária e fundou uma ó-ene-gê.
Adotou mais 3.
Ela trabalha o dia todo, lava, passa e faz comida pras crianças.
Bota o mais novo pra dormir e é sempre a última a pregar o olho.
Chora no banho para não ficar inchada. Não menstrua. Tem problema no joelho.
O marido morreu quando o mais novo ainda estava no ventre.
Cria as crianças sozinha.
Se amor não for Maria,
Então não sei mais nada.
É incondicional.
Amor também poderia ser homem e se chamar Hilário.
Empresário, atarefado, pai e viúvo.
Liderar um grupo de executivos, mas não se atrasar pra buscar a Mariana na escola.
Convencer a menina a comer moranga, ficar quieto, mas morrer de ciúme do Paulo,
adolescente, que invade a história em meados do ensino médio e não sai do quarto dela.
Tá, então fica combinado, o amor pode ser tipo isso...
E todo resto é Paixão.
O poemeto acima foi escrito por mim em meados de 2002, publicado em 31 de Outubro de 2006.
Monday, October 23, 2006
Do universo eletrônico-passivo ao acústico-ativo:

Do universo eletrônico-passivo ao acústico-ativo:
De um lado o computador, a Tv, o Ipod e o celular. Do outro um bom livro, instrumentos musicais, pintura, surfe, uma boa conversa, uma brincadeira com o cachorro, com os filhos, etc.
Entre eles uma gigantesca, mas sutil distância. Trata-se apenas de uma intenção.
O meio cerca os sentidos, represa sentimentos aqui, deixa vazar sentimentos ali. Não há controle. O meio determina. Não porque o determinismo do meio venceu as nossas personalidades, mas porque há passividade, há a moderna idéia da praticidade, que leva a perda imperceptível da identidade. A perda de identidade é imperceptível, porque não se processa em momentos de lucidez, mas em momentos em que nos deixamos persuadir pelo turbilhão de acontecimentos. Explico: o mundo acelera, nós aceleramos juntos diariamente. Não há tempo para contemporizações. Não há tempo para raciocinar e ponderar o que de fato está nos levando a agir.
O mecanicismo do dia a dia nos leva a agir impulsivamente. A rotina nos torna eletrônicos e passivos da informação. Os nossos impulsos naturais do inconsciente são suprimidos de forma abrupta. A perda de controle é inevitável. A passividade convulsivante é inevitável.
Não há muito o que se fazer nesse aspecto, a não ser reduzir a influência externa sobre nós. A redução da nossa angustia é diretamente proporcional à redução de elementos viciantes, de imagens que invadem nossos lares, de informação em tempo real nos alcançando a todo o momento. Poluição visual e auditiva. Perdemos espaço para mídia. O ser humano não está pronto para suportar essa fase da evolução cultural da sociedade. Ficou rápido demais.
Angústia é o reflexo mais evidente. Poucas pessoas negam esse sintoma. Angústia acaba levando a co-morbidades. O pior é que há poucas saídas, poucas áreas de escape. É bastante difícil viver a sombra desses raios ultravioleta carcinogênicos. Raios vorazes por intelectuais. Vorazes por domina-los. Explico: A geração dos anos 2000 é viciada em informação, logo tem quocientes de inteligência algumas dezenas mais elevados que as gerações anteriores. São gênios capazes de absorver infinita quantidade de informação por milésimo de segundo. Porém são viciados em delivery de informações. Trata-se de uma pronta entrega do conhecimento. Todos têm níveis elevados de memória fotográfica, numérica, capacidade de compreensão. Mas são inconscientemente dominados por esse turbilhão avassalador. Os gênios de outrora tinham mais tempo entre uma leitura e outra, entre um aprendizado e outro. Não chegavam a ser escravizados, nem hipnotizados pela informação barata.
É difícil não absorver essa radiação contextual. Não é de agora, porém o que se passa hoje é mais fulminante do que jamais fora. A internet dominou a todos, e seus anexos entopem nossas caixas de mensagem cada vez mais. Os desdobramentos comerciais da rede tomam conta do mercado.
Há alguma forma de fugir desse processo? Há alguma forma de amenizar seus efeitos sobre nossas mentes?
Trata-se de uma solução revolucionariamente simples. Não apertar o power. Não dar o gatilho, e se o vício for demasiadamente incontrolável, pode-se apelar para uma solução um tanto mais radical. Não pagar a conta de luz.
A solução é se deixar mais aberto aos brinquedos de madeira, ao violão acústico, ao quebra cabeças de papelão, a conversa pelos telefones feitos de barbante e latas de conserva, permitir-se ao escuro, e às vezes ao silêncio. A solução é ter a intenção de não procurar a eletricidade e desplugar-se do cotidiano. Curtir apenas o som que reverbera mecanicamente. As ondas eletromagnéticas podem ser evitadas cada vez mais. Pelo menos nos nossos lares. Não traga trabalho para casa. Prefira as velhas e boas ondas mecânicas. Elas são vibrações, e evocam sensações diferentes. Não servem apenas para carregar-nos de energia. Pelo contrário, nos fazem vibrar em ressonância. Fazem nos transferir ao ambiente a energia acumulada. Entrar em equilíbrio com o meio.
A intenção é o diferencial. Ter a intenção de perceber o mal já é mais de meio caminho andado para a cura. Se antigamente tínhamos menos sintomas emocionais, porque não buscar a atmosfera do passado. Pelo menos em comportamento, pelo menos em casa. Ter a intenção de algumas vezes desconectar a mente da rede, da mídia e da evolução virtual pode transformar uma vida. Do eletrônico ao acústico, da velocidade extrema ao ritmo de passeio, do estresse à tranqüilidade
De um lado o computador, a Tv, o Ipod e o celular. Do outro um bom livro, instrumentos musicais, pintura, surfe, uma boa conversa, uma brincadeira com o cachorro, com os filhos, etc.
Entre eles uma gigantesca, mas sutil distância. Trata-se apenas de uma intenção.
O meio cerca os sentidos, represa sentimentos aqui, deixa vazar sentimentos ali. Não há controle. O meio determina. Não porque o determinismo do meio venceu as nossas personalidades, mas porque há passividade, há a moderna idéia da praticidade, que leva a perda imperceptível da identidade. A perda de identidade é imperceptível, porque não se processa em momentos de lucidez, mas em momentos em que nos deixamos persuadir pelo turbilhão de acontecimentos. Explico: o mundo acelera, nós aceleramos juntos diariamente. Não há tempo para contemporizações. Não há tempo para raciocinar e ponderar o que de fato está nos levando a agir.
O mecanicismo do dia a dia nos leva a agir impulsivamente. A rotina nos torna eletrônicos e passivos da informação. Os nossos impulsos naturais do inconsciente são suprimidos de forma abrupta. A perda de controle é inevitável. A passividade convulsivante é inevitável.
Não há muito o que se fazer nesse aspecto, a não ser reduzir a influência externa sobre nós. A redução da nossa angustia é diretamente proporcional à redução de elementos viciantes, de imagens que invadem nossos lares, de informação em tempo real nos alcançando a todo o momento. Poluição visual e auditiva. Perdemos espaço para mídia. O ser humano não está pronto para suportar essa fase da evolução cultural da sociedade. Ficou rápido demais.
Angústia é o reflexo mais evidente. Poucas pessoas negam esse sintoma. Angústia acaba levando a co-morbidades. O pior é que há poucas saídas, poucas áreas de escape. É bastante difícil viver a sombra desses raios ultravioleta carcinogênicos. Raios vorazes por intelectuais. Vorazes por domina-los. Explico: A geração dos anos 2000 é viciada em informação, logo tem quocientes de inteligência algumas dezenas mais elevados que as gerações anteriores. São gênios capazes de absorver infinita quantidade de informação por milésimo de segundo. Porém são viciados em delivery de informações. Trata-se de uma pronta entrega do conhecimento. Todos têm níveis elevados de memória fotográfica, numérica, capacidade de compreensão. Mas são inconscientemente dominados por esse turbilhão avassalador. Os gênios de outrora tinham mais tempo entre uma leitura e outra, entre um aprendizado e outro. Não chegavam a ser escravizados, nem hipnotizados pela informação barata.
É difícil não absorver essa radiação contextual. Não é de agora, porém o que se passa hoje é mais fulminante do que jamais fora. A internet dominou a todos, e seus anexos entopem nossas caixas de mensagem cada vez mais. Os desdobramentos comerciais da rede tomam conta do mercado.
Há alguma forma de fugir desse processo? Há alguma forma de amenizar seus efeitos sobre nossas mentes?
Trata-se de uma solução revolucionariamente simples. Não apertar o power. Não dar o gatilho, e se o vício for demasiadamente incontrolável, pode-se apelar para uma solução um tanto mais radical. Não pagar a conta de luz.
A solução é se deixar mais aberto aos brinquedos de madeira, ao violão acústico, ao quebra cabeças de papelão, a conversa pelos telefones feitos de barbante e latas de conserva, permitir-se ao escuro, e às vezes ao silêncio. A solução é ter a intenção de não procurar a eletricidade e desplugar-se do cotidiano. Curtir apenas o som que reverbera mecanicamente. As ondas eletromagnéticas podem ser evitadas cada vez mais. Pelo menos nos nossos lares. Não traga trabalho para casa. Prefira as velhas e boas ondas mecânicas. Elas são vibrações, e evocam sensações diferentes. Não servem apenas para carregar-nos de energia. Pelo contrário, nos fazem vibrar em ressonância. Fazem nos transferir ao ambiente a energia acumulada. Entrar em equilíbrio com o meio.
A intenção é o diferencial. Ter a intenção de perceber o mal já é mais de meio caminho andado para a cura. Se antigamente tínhamos menos sintomas emocionais, porque não buscar a atmosfera do passado. Pelo menos em comportamento, pelo menos em casa. Ter a intenção de algumas vezes desconectar a mente da rede, da mídia e da evolução virtual pode transformar uma vida. Do eletrônico ao acústico, da velocidade extrema ao ritmo de passeio, do estresse à tranqüilidade
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