
Do universo eletrônico-passivo ao acústico-ativo:
De um lado o computador, a Tv, o Ipod e o celular. Do outro um bom livro, instrumentos musicais, pintura, surfe, uma boa conversa, uma brincadeira com o cachorro, com os filhos, etc.
Entre eles uma gigantesca, mas sutil distância. Trata-se apenas de uma intenção.
O meio cerca os sentidos, represa sentimentos aqui, deixa vazar sentimentos ali. Não há controle. O meio determina. Não porque o determinismo do meio venceu as nossas personalidades, mas porque há passividade, há a moderna idéia da praticidade, que leva a perda imperceptível da identidade. A perda de identidade é imperceptível, porque não se processa em momentos de lucidez, mas em momentos em que nos deixamos persuadir pelo turbilhão de acontecimentos. Explico: o mundo acelera, nós aceleramos juntos diariamente. Não há tempo para contemporizações. Não há tempo para raciocinar e ponderar o que de fato está nos levando a agir.
O mecanicismo do dia a dia nos leva a agir impulsivamente. A rotina nos torna eletrônicos e passivos da informação. Os nossos impulsos naturais do inconsciente são suprimidos de forma abrupta. A perda de controle é inevitável. A passividade convulsivante é inevitável.
Não há muito o que se fazer nesse aspecto, a não ser reduzir a influência externa sobre nós. A redução da nossa angustia é diretamente proporcional à redução de elementos viciantes, de imagens que invadem nossos lares, de informação em tempo real nos alcançando a todo o momento. Poluição visual e auditiva. Perdemos espaço para mídia. O ser humano não está pronto para suportar essa fase da evolução cultural da sociedade. Ficou rápido demais.
Angústia é o reflexo mais evidente. Poucas pessoas negam esse sintoma. Angústia acaba levando a co-morbidades. O pior é que há poucas saídas, poucas áreas de escape. É bastante difícil viver a sombra desses raios ultravioleta carcinogênicos. Raios vorazes por intelectuais. Vorazes por domina-los. Explico: A geração dos anos 2000 é viciada em informação, logo tem quocientes de inteligência algumas dezenas mais elevados que as gerações anteriores. São gênios capazes de absorver infinita quantidade de informação por milésimo de segundo. Porém são viciados em delivery de informações. Trata-se de uma pronta entrega do conhecimento. Todos têm níveis elevados de memória fotográfica, numérica, capacidade de compreensão. Mas são inconscientemente dominados por esse turbilhão avassalador. Os gênios de outrora tinham mais tempo entre uma leitura e outra, entre um aprendizado e outro. Não chegavam a ser escravizados, nem hipnotizados pela informação barata.
É difícil não absorver essa radiação contextual. Não é de agora, porém o que se passa hoje é mais fulminante do que jamais fora. A internet dominou a todos, e seus anexos entopem nossas caixas de mensagem cada vez mais. Os desdobramentos comerciais da rede tomam conta do mercado.
Há alguma forma de fugir desse processo? Há alguma forma de amenizar seus efeitos sobre nossas mentes?
Trata-se de uma solução revolucionariamente simples. Não apertar o power. Não dar o gatilho, e se o vício for demasiadamente incontrolável, pode-se apelar para uma solução um tanto mais radical. Não pagar a conta de luz.
A solução é se deixar mais aberto aos brinquedos de madeira, ao violão acústico, ao quebra cabeças de papelão, a conversa pelos telefones feitos de barbante e latas de conserva, permitir-se ao escuro, e às vezes ao silêncio. A solução é ter a intenção de não procurar a eletricidade e desplugar-se do cotidiano. Curtir apenas o som que reverbera mecanicamente. As ondas eletromagnéticas podem ser evitadas cada vez mais. Pelo menos nos nossos lares. Não traga trabalho para casa. Prefira as velhas e boas ondas mecânicas. Elas são vibrações, e evocam sensações diferentes. Não servem apenas para carregar-nos de energia. Pelo contrário, nos fazem vibrar em ressonância. Fazem nos transferir ao ambiente a energia acumulada. Entrar em equilíbrio com o meio.
A intenção é o diferencial. Ter a intenção de perceber o mal já é mais de meio caminho andado para a cura. Se antigamente tínhamos menos sintomas emocionais, porque não buscar a atmosfera do passado. Pelo menos em comportamento, pelo menos em casa. Ter a intenção de algumas vezes desconectar a mente da rede, da mídia e da evolução virtual pode transformar uma vida. Do eletrônico ao acústico, da velocidade extrema ao ritmo de passeio, do estresse à tranqüilidade
De um lado o computador, a Tv, o Ipod e o celular. Do outro um bom livro, instrumentos musicais, pintura, surfe, uma boa conversa, uma brincadeira com o cachorro, com os filhos, etc.
Entre eles uma gigantesca, mas sutil distância. Trata-se apenas de uma intenção.
O meio cerca os sentidos, represa sentimentos aqui, deixa vazar sentimentos ali. Não há controle. O meio determina. Não porque o determinismo do meio venceu as nossas personalidades, mas porque há passividade, há a moderna idéia da praticidade, que leva a perda imperceptível da identidade. A perda de identidade é imperceptível, porque não se processa em momentos de lucidez, mas em momentos em que nos deixamos persuadir pelo turbilhão de acontecimentos. Explico: o mundo acelera, nós aceleramos juntos diariamente. Não há tempo para contemporizações. Não há tempo para raciocinar e ponderar o que de fato está nos levando a agir.
O mecanicismo do dia a dia nos leva a agir impulsivamente. A rotina nos torna eletrônicos e passivos da informação. Os nossos impulsos naturais do inconsciente são suprimidos de forma abrupta. A perda de controle é inevitável. A passividade convulsivante é inevitável.
Não há muito o que se fazer nesse aspecto, a não ser reduzir a influência externa sobre nós. A redução da nossa angustia é diretamente proporcional à redução de elementos viciantes, de imagens que invadem nossos lares, de informação em tempo real nos alcançando a todo o momento. Poluição visual e auditiva. Perdemos espaço para mídia. O ser humano não está pronto para suportar essa fase da evolução cultural da sociedade. Ficou rápido demais.
Angústia é o reflexo mais evidente. Poucas pessoas negam esse sintoma. Angústia acaba levando a co-morbidades. O pior é que há poucas saídas, poucas áreas de escape. É bastante difícil viver a sombra desses raios ultravioleta carcinogênicos. Raios vorazes por intelectuais. Vorazes por domina-los. Explico: A geração dos anos 2000 é viciada em informação, logo tem quocientes de inteligência algumas dezenas mais elevados que as gerações anteriores. São gênios capazes de absorver infinita quantidade de informação por milésimo de segundo. Porém são viciados em delivery de informações. Trata-se de uma pronta entrega do conhecimento. Todos têm níveis elevados de memória fotográfica, numérica, capacidade de compreensão. Mas são inconscientemente dominados por esse turbilhão avassalador. Os gênios de outrora tinham mais tempo entre uma leitura e outra, entre um aprendizado e outro. Não chegavam a ser escravizados, nem hipnotizados pela informação barata.
É difícil não absorver essa radiação contextual. Não é de agora, porém o que se passa hoje é mais fulminante do que jamais fora. A internet dominou a todos, e seus anexos entopem nossas caixas de mensagem cada vez mais. Os desdobramentos comerciais da rede tomam conta do mercado.
Há alguma forma de fugir desse processo? Há alguma forma de amenizar seus efeitos sobre nossas mentes?
Trata-se de uma solução revolucionariamente simples. Não apertar o power. Não dar o gatilho, e se o vício for demasiadamente incontrolável, pode-se apelar para uma solução um tanto mais radical. Não pagar a conta de luz.
A solução é se deixar mais aberto aos brinquedos de madeira, ao violão acústico, ao quebra cabeças de papelão, a conversa pelos telefones feitos de barbante e latas de conserva, permitir-se ao escuro, e às vezes ao silêncio. A solução é ter a intenção de não procurar a eletricidade e desplugar-se do cotidiano. Curtir apenas o som que reverbera mecanicamente. As ondas eletromagnéticas podem ser evitadas cada vez mais. Pelo menos nos nossos lares. Não traga trabalho para casa. Prefira as velhas e boas ondas mecânicas. Elas são vibrações, e evocam sensações diferentes. Não servem apenas para carregar-nos de energia. Pelo contrário, nos fazem vibrar em ressonância. Fazem nos transferir ao ambiente a energia acumulada. Entrar em equilíbrio com o meio.
A intenção é o diferencial. Ter a intenção de perceber o mal já é mais de meio caminho andado para a cura. Se antigamente tínhamos menos sintomas emocionais, porque não buscar a atmosfera do passado. Pelo menos em comportamento, pelo menos em casa. Ter a intenção de algumas vezes desconectar a mente da rede, da mídia e da evolução virtual pode transformar uma vida. Do eletrônico ao acústico, da velocidade extrema ao ritmo de passeio, do estresse à tranqüilidade
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