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Thursday, November 18, 2010

FOTOGRAFIAS



É hilário ficar observando as fotos do passado. O instante radiante registrado, memória eternamente materializada. Não é tão hilário assim refletir como é surreal e utópico manter esses instantes radiantes eternamente preservados. Os altos e baixos da vida, a lei da sobrevivência, o destino de cada um de nós, não conspiram a nosso favor. Vejo aquela mulher linda ao meu lado, hoje morando tão longe. Éramos unha e carne, a felicidade parecia não ter fim e o mundo parecia girar ao nosso redor. Hoje a vida surda, cega e muda, mais injusta que justa, me mostra essa mulher em outras fotos. Longe. Eu conseqüentemente apareço em diversas outras fotos e diversas outras ocasiões. Sempre alegre, como se nada de preocupante acontecesse na vida. Eu aqui imaginando tudo que deixamos de viver após a separação, e reflito o porquê de tudo isso, o motivo da separação. Não há motivos nobres, não existe complexidade nos acontecimentos. Mas aí que mora o mistério das relações humanas, Nossa complexidade esta justamente no fato de tudo aquilo que é profundo e momentaneamente duradouro poder por razões corriqueiras, fortuitas e fulminantes ter seu fim. Um fim simples para um evento cheio de complexidade, e essa dramaticidade humana, enfim, aquela complexidade da vida que muitos pensadores firulam, mas não definem, me intriga, e pena que os fotógrafos ainda não conseguem registrá-las.

Olho aquela mulher hoje e não a reconheço apesar de permanecer a mesma. Não mais a amo, mas já amo outra. Os seus anseios a levaram para longe. Objetivos profissionais, exigências pessoais, entre outras razões, a levaram para não só quilômetros de distância e cenários que desconheço nas fotos, mas também a um universo muito distante do meu, ficando nossos corações totalmente desconectados. Poucos registros de tudo aquilo permanecem. Fotos espontâneas, e um pequeno calo amoroso, talvez para ambos. Nada que comprometa um ou outro. Mas as fotos marcam com cortes temporais tudo que passou e me fazem refletir.

Isso é motivo de discussão, divergência de opiniões, calorosos bate papos em mesas de bar, decadências emocionais frente aos blogs filosóficos. Não sei definir essa complexidade que recheia a simplicidade da vida, que nada mais é do que resultado das nossas atitudes e o virtuoso emaranhado de emoções que dá liga a tudo isso. É bom ver essas fotos do passado. É bom ver e sentir que nós mudamos, permanecemos a deriva e estamos sujeitos as intempéries da vida a cada segundo mesmo sem perceber. Nosso destino, se é que posso definir como destino, é seguir as sinuosas curvas e bifurcações propostas, sempre tendo os registros fotográficos como testemunhas estanques. Cabe a nossa memória unir os pontos, refletir e aprender com tudo isso.

Imagem: Natasha Kinski/ Paris, Texas (Wim Wender 1984)

Monday, October 04, 2010

Crônica dos últimos quatro anos

Mulher odeia ser mandada. São séculos e séculos de opressão. Não dê corda, que já cheira a forca. Vale inclusive para a masoquista. Gosta de firmeza, não que alguém diga o que ela tem ou não fazer. Não seja autoritário. O feminismo não é conversa de sapatão.
Que aconselhe, não emplaque uma ordem. Que ofereça um palpite, este é despretensioso como um assobio, é soprar uma melodia e permitir espaço para que ela complete a letra. Finja que está no chuveiro, menor o risco de se afogar. Fale cantando. Quem canta nunca será um ditador.
Posso estar plenamente equivocado, sou tão bonito quanto carro de eletricista, mas mulher aprecia é sentir saudade. Quando o homem desaparece e ela corre para procurá-lo. São coisas do cotidiano. Fui percebendo que a conversa com a minha namorada estragava sempre do mesmo jeito. Havia um método no erro. Uma frase Morse que trincava o entendimento. Depois que pronunciava aquilo nada mais funcionava. Da calmaria, ela migrava para o estado nervoso e impaciente. A transformação de sua atitude me baqueava. O que foi? Será que perdi algo? Retrocedia para caçar uma gafe. O homem ainda tenta melhorar sua imagem com um Bombril na antena.
Eu dizia “você tem que” a cada início de diálogo. Impositivo, não agia por mal, era um hábito, buscava convencer com “você tem que”. Parecia que tinha a solução dos problemas do mundo. PERSUASÃO É A SEDUÇÃO PARA QUEM NÃO TEM PACIÊNCIA. Meu caso; não cuidava da linguagem e depois estranhava o silêncio dela. “Você tem que” é um mandado de segurança. É atestar que ela não tem condições de conduzir a própria vida. Virava um segundo pai, determinando sua atitudes. Fugia da cumplicidade, vinha com mandamentos e os condicionais de comportamento para que merecesse a mesada.
O homem não botou na cabeça que a fragilidade da mulher não é dependência. Ela não precisa ser protegida, e sim respeitada. Existe um diferença aguda no tratamento. Depois que ela fica braba não adianta remendar. Emerge um pânico das cavernas, o receio de ser puxada pelos cabelos e pelas palavras. Igual é chamá-la de louca no meio de uma discussão.
Quem não encheu o pulmão para desabafar “você está louca!”, com aquele grito catártico, que serve de elevador para todo prédio? Eu confesso, mais de uma vez. É novamente afirmar que ela não tem domínio, que nem sabe o que está falando e menosprezar sua opinião. Pode até ser louca, mas não chame de louca, se não ela não vai recuperar o juízo. Na história do pensamento, quantas mulheres foram enviadas para o hospício devido a sua autonomia? Quantas receberam eletrochoque ou sofreram lobotomia em função da independência de estilo? Significa um joanete ancestral, um calo antiguíssimo, NÃO PISE!
Joana D’Arc não foi uma bruxa. Assim como vassoura não é para voar, é para varrer qualquer sujeira machista dentro de casa.


PS.: Crônica de FABRÍCIO CARPINEJAR, Zero Hora 03, Outubro de 2010.

Monday, August 09, 2010

Velho Buk



No fim de semana eu li Bukowski

Duas mulheres significam duas vezes mais encrenca do que uma. Bem, havia me separado recentemente, minha ex-mulher, a doce Joana Herva, agora uma herva daninha, vive a me atazanar e estragar meus momentos de prazer. Quando penso em Herva, lembro minha descendência canina e o quanto isso me aproxima progressivamente de um fim de vida solitário e deprimente.

Envolvera-me com algumas mulheres diferentes. Diferentes encrencas. Uma delas uma relação sórdida, repleta de sexo desprotegido, risco e muito, mas muito desejo. Outras nem tanto, mas todas essas relações basicamente regadas a noites de sexo. Nada de relação estável. Sempre me apresento – Olá, me chamo Hilário (aqui acrescento uma profissão fictícia conforme a conveniência do momento), estou solteiro, bem solteiro e te querendo, no momento.

Nesse fim de semana eu li Bukowski, e sempre me impressiono em como ele fala aquilo que eu sempre quis falar. Eu queria ter sido o velho Buk. Queria ter nascido daquela geração beat. Queria ter vivenciado os áureos tempos da boemia charmosa. Era bonito ser um cão sem dono, copulando ao bel-prazer, bebendo uísques baratos, vodkas com soda e trocando xingamentos, socos e pontapés por diversão em bares mal iluminados simplesmente pelo fato de não aceitar o comodismo da vida pacata.

Um bom vivant que se prezava não amargava término de relações, simplesmente porque não as tinha, ou tinha em dúzias, porém não as encarava como compromisso. Eu gostaria de encarar a separação com a mesma retidão que o detetive Belane. Tratei-a mal. Não valorizei, recebi vezes mais do que doei. Sexo não é tudo. Mulheres precisam de doações cotidianas. Não existe amor, existem provas. Após a decepção amorosa me afundei na vida noturna. Mergulhei nos braços das mais belas, a primeira que eu encontrasse, sempre a procura do suco mais doce. Um bom cachorro vive de aparências, vive de mentiras. A melhor arma de baixar calcinhas é entrar na cabeça delas. E a chave de tudo são as boas mentiras. Junte a isso vodka, energéticos, champagnes caros a la vonté, resultado, muita sacanagem, e elas adoram, pelo menos em um primeiro momento.

No "dia seguinte" sempre me recordo do velho Buk. Aquelas manhãs em que o gosto de guarda-chuva te incomoda, cabeça latejando, bolsas caídas sob os olhos, aparência repugnante. Tu acorda e vai mijar, erra a pontaria e acaba molhando a tampa da privada, olha pela janela e só vê o entardecer e o gato do vizinho cagando no telhado. Volta ao banheiro para escovar os dentes, aperta a bisnaga e a porcaria da pasta erra a escova e suja tua roupa. O velho Buk dizia que nesses momentos se sentia em um ciclo. Comer, beber, transar, coçar, gozar, sorrir e festejar nos feriados. E a vida passando. Termino de escovar os dentes e volto para cama já pensando para quem irei ligar para traçar mais tarde.

Uma reflexão me vem à cabeça. Esse ciclo esta me matando. Sinto-me um tolo, zanzando por aí a sugar ar para dentro e para fora dos pulmões. E que importância tem na vida quem fode com quem? No fim é tão sem graça. Foder, foder, foder. As pessoas se prendem a coisas compulsivamente. Uma vez que cortam o nosso cordão umbilical, a gente se prende a outras coisas. Curtição, som, sexo, sacanagem, jogos, vodka com soda, masturbação, mulheres, ressaca e a depressão de Domingo à noite. Mas ao mesmo tempo, não me vejo hoje outra coisa a não ser um cafajeste. Um homem fanfarrão, um charlatão, que para mim sem a mentira, conquista e sexo abundante é como um detetive de Bukowski sem o seu revolver, seus palavrões e sua sordidez, um relógio sem ponteiro ou um garanhão de camisinha.

Wednesday, June 30, 2010

Hilário é o meu nome


Hilário é meu nome, mas não vejo graça na vida. Ou melhor, ora vejo, ora não vejo. Como fala o punk brega Wildner: Não consigo ser alegre o tempo inteiro. Há demasiada labilidade emocional neste ser que vos fala. A farra parece ter acabado. Já não me circunda tanta gente como outrora. A solidão vai e vem. Uma ciclotimia beira a casuística psquiátrica. Mas continuo firme, sem pensar em entregar os pontos. Solidão é um estado de espírito? Com tanta gente nesse mundão de Deus, como pode haver esse sentimento? Depressão é o rótulo que roubou da melancolia o seu precioso romantismo.

A idade avança, acho que na verdade trata-se de uma crise sazonal ou talvez própria da faixa etária em que me encontro. Mas não tenho certeza, simplesmente prefiro acreditar que sim. Sentado com o laptop queimando minhas coxas, 2 e trinta e cinco da madrugada, poucos amigos online, um que outro corpinho feminino disponível. Arrependo-me do dia em que introduzi a rotina dos métodos de comunicação virtual no meu fim de noite. Foi como um boicote, um suicídio social. Hoje, me encontro em casa, sozinho. Talvez 40 internautas “amigos”, mas nenhum interessado no que se passa, pelo menos com o que se passa comigo. Não me sinto interessante. O que eu falo faz pouco sentido para eles. E esse “eles” na minha cabeça é uma população que interage entre si excluindo-me propositalmente. Será? Criamos fantasias a partir de ilusões persecutórias. É claro que não, pelo menos não todos.

Será depressão? Será falta minha? Melancolia? Meu processo criativo é fomentado por ela. Será porque não cultivei os velhos amigos e hoje não os tenho como consolo? Não sei, talvez sim, talvez não. O que interessa é que toma conta de mim um sentimento tão forte quanto desagradável. Um sentimento indefinível, ipsis litteris. Não sei, vazio. Depressão certamente, mas prefiro não acreditar, prefiro buscar outra explicação, prefiro a melancolia. Taxando como patologia não teria o mesmo glamour da dúvida, Não teria o final em aberto das indagações existenciais. Que náusea, será o café preto que me mantém acordado? Será refluxo gastroesofágico? É um desconforto no epigástrio, vulgo boca do estômago.

Não me considero mais tão interessante como outrora. E não me consideram, mas não consigo admitir isso em voz alta, prefiro acreditar que é passageiro. Não me consideram de fato, ou não me vêem? Minhas roupas andam discretas ultimamente? As pessoas que andavam ao meu redor perderam os seus celulares, não têm mais meu numero e por essa razão não mais me ligam? Seria uma resposta confortável para tamanha ausência. Não acredito que tenham me esquecido. Paira aqui no peito um sufocamento surdo, indolor e ao mesmo tempo sofrido. Dilui-se o que for que seja aqui dentro a cada dia que passa, e os sentimentos bons ficam rarefeitos. Sei que eles não me esqueceram. Ao contrário eu os esqueci, não sei a partir de quando, mas sei que ao longo do tempo. Eu me isolei. O hiperfoco idealista, ou seria a necessidade de aglutinar toda energia para seguir a vida? Não sei, mas perdi a razão que me fazia procurá-los, contraditoriamente, ao mesmo tempo mantive o anseio.

Não sei se posso generalizar isso que sinto, não sei se isso é um caso universal, prefiro acreditar que sim. O contrário me tornaria não humano, e a cada dia que passa percebo o quão humano eu sou e o quão isso é dificil de deglutir. Ponto, não é o escopo deste artigo. Em suma, prefiro acreditar que há validade externa nesse estudo silencioso que faço da minha própria angustia.

Em não conseguir ser alegre o tempo inteiro é que está o foco da minha agitação. Lembro-me quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre. A gente, não sei definir esse grupo de pessoas, mas enfim, não muda o produto em questão. Eu desacreditei aos poucos, até definitivamente cair na sólida certeza. O instante que me separa do futuro, logo, o presente, é duro, cruel, rasga a garganta. É árdua a tarefa de enfrentar esse mundo, encarar a realidade a partir do momento em que se tem a nítida lucidez dos fatos, sabe-se da existência da ambição humana, da original falta de escrúpulos, de todo aquele mal que cogitamos fazer parte da gama de características dos vilões dos nossos filmes de ação. Pois, a realidade é ainda pior. A arte imita a vida, pois a vida é muito mais competente em entregar nos a sua obra inacreditavelmente verdadeira. Sofro com tudo isso, porque penso demais? Sei que tenho companheiros de sofrimento, aos montes, mas isso não me conforta.

Sentado aqui, queimando as pestanas para estabelecer uma linha sã. Preferiria estar alheio a isso tudo. Imagino como deve ser bon ser um alienado, o quão saudável seria a vida. Pois a minha não parece estar encaminhando-se para a plenitude sã, mental e financeira. Sinto-me a cada dia mais biruta, digo, não porque eu ande a favor do vento, mas porque ando pelado-pelado e nu com a mão no bolso. Pelado porque meu espírito é de porco e com as mãos no bolso porque elas não tem o poder de me desvencilhar desse sentimento atordoante de não saber lidar com a vida. Tentei voltar a normalidade e caminhar pelas noites, olhar o rosto de gente notívaga e nelas achar um motivo para voltar a ser quem eu era. Não me encontro mais naqueles rostos. Essa metamorfose deveria ser acompanhada de um livro texto auto-explicativo, munido com um sistema de busca capaz de responder qualquer anseio. Esse tipo de coisa não se acha no Google. Mas não é, não vem manual de uso. E não tem resposta em lugar ou momento algum. É como uma prova sem gabarito. Muda-se ao Leo, sem molde, sem orientação. Mas quando se olha para trás, pronto, comparativamente tudo mudou.

Porque e em que momento a ambição de poder, reconhecimento e dinheiro me consumiu? Hoje sou um invejoso, e digo isso porque o chapéu serviu com exatidão. Explico: Arnaldo Antunes e sua música, O invejoso, saca? Pois se não conhece baixe em algum torrent da sua preferência. A mim caiu como uma luva. Invejo tudo isso. Invejo a criatividade do Arnaldo também.

Esta aí uma coisa que venho trazendo a tona, direto do meu inconsciente. Sou invejoso. Há pessoas ricas, de bem com a vida, cercadas de gente igual a elas. Há gente, montoeiras de gente, desconectadas dessa realidade, ou melhor algumas conectadas virtualmente, em casa, longe de tudo, acompanhando o sucesso alheio pelas páginas da internet, facebook, Orkut, entre outros. Como que compartilhando o sucesso. Ali mora a felicidade daqueles e estes vivem a bisbilhotar, fazendo com que seus sentimentos sejam surrados pela maldita inveja até não sobrar um sequer para encará-la. E esse universo é habitado por milhões de seres humanos. Arrisco me a afirmar que talvez pela imensa maioria de nós.

Não consigo identificar o momento em que passei a considerar as festas em iates regadas a champagne e mulheres espetaculares ao conceito de sucesso. Mas o fato é que hoje, pelo menos até o presente instante isso me ocorre intensamente, a tal ponto que chego a sofrer de inveja através do facebook. Meu nome é Hilário, e repito isso mais para mim do que para vocês. Para mim, porque cheguei na conclusão de que me falta auto sugestão, auto afirmação. Auto-sugestionarei a cada minuto, e a cada segundo seguirei em busca do meu eu, tentando regurgitar esse sentimento de inveja tolo. Pois isso não me pertence. É hilário quando percebo o nível da minha viagem. Enfim, tudo isso se passou pela minha cabeça hilária entre as 2:35 e as 3:03 dessa madrugada de 6 de Junho. Continuo sem as respostas, mas com os questionamentos devidamente registrados, regurgitados com verossimilhança sobre meu teclado.

Thursday, May 20, 2010

Insossa serotonina


Já parou para pensar como tu constrói teus pensamentos?

De onde eles vêm?

Combinação de fatores caótico-orgânicos .

No início tudo não passa de uma seqüência de eventos, condução, liberação ...

Depois vai tomando forma e tu entendes.

Hoje em dia uma das definições de sanidade é tua capacidade de entender

Entender a enxurrada de informações codificadas na tua caxola.

Sim, pelo menos tu, a priori, tens a obrigação de entendê-los.

Os teus pensamentos.

Pois, caso contrário, pode ir procurando um psiquiatra qualquer, com sobrenome judaico,

Ele não te responderá nenhuma questão como essa, nada.

Mas você já estará consumindo alguma coisa

Assim como comer chocolate, os R$ 200,00/45 minutos

Consumo = maravilhosa liberação de serotonina.

O consumismo como antidepressivo

Um dos antidepressivos mais usados no mundo hoje em dia

age tão somente preservando serotonina.

Tuas fendas sinápticas encharcadas de serotonina

Serotonina, quanto menos disponível para o uso, mais triste o infeliz.

Já há quem diga que os antidepressivos são engodo da indústria

Minto.

Funcionam bem, e estão transformando toda uma geração de seres humanos

Todos moderados

Quimicamente moderados

Quimicamente zelados

Moralmente conservadores.

Sem exacerbações, sem expressionismo.

Sem tempero, poderio crítico, e com todos os sentimentos equalizados na linha média.

O noticiário tragicômico nada mais desperta nessa gente.

Os dias e os fatos se sucedem sem qualquer risco de descontrole emocional

Cotidiano inofensivo

Serotonina Abundante

mas sem gosto nem cheiro

Poema em prosa, insosso, mas cheio de sentimentos, quanta contradição.

Não entendo mais nada.

Onde está o número daquele judeu safado?

A Depressão surrupiou o romantismo da melancolia,

Melancolia charmosa e a depressão malandra.

A indústria farmacêutica dominará o mundo

O laptop queima a coxa do não-antidepressivo dependente que se entrega aos pensamentos .