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Friday, October 05, 2012

Tuesday, August 21, 2012

Thursday, July 26, 2012

Monday, July 16, 2012

Trintão



De repente Balzaquiano.
A infância termina em um dado momento entre os 8 e os 80, quando você descobre que o bicho papão era você mesmo. Claro que isso vai depender da pessoa e da sua capacidade de observar o que se passa ao seu redor e dentro de si mesmo. Por volta dos trinta anos, biologicamente ou mentalmente, você terá grandes chances de estar passando por um período de mudanças na sua vida. Antigos medos passarão a não ser mais medos e tornar-se-ão realidade, você será então obrigado a interagir com eles, enfrentá-los, porém com a conveniência de que tudo não será mais uma novidade, pois tu agora é um macaco-velho-matreiro e instintivamente pegará os atalhos. Perceberá que não terá outra forma a não ser aceitar as dificuldades, entenderá que os momentos bons são vividos intensamente, mas essa intesidade já não é mais a mesma. Contudo, isso não necessariamente será negativo. Você se acostumará a viver sozinho, já terá perdido pessoas amadas, por doença, acidente, falta de educação ou ímpeto. Passará a enteder o seu instinto, e não necessariamente associará a palavra selvagem a sexo. Não que sua vida sexual apresentará um declínio de qualidade, mas porque provavelmente você sentirá falta de um amor, e teu vocabulário estará mais vasto. Terá uma vez por ano o desgosto do imposto de renda, pagará multa pelo aluguel atrasado. Terá entre outros comportamentos supersticiosos, o de pagar a mensalidade de uma academia, que por si só manterá você com o pensamento aliviado em relação a tua forma física. Se ficar solteiro, entrará para um grupo de corrida, e ao invés de discutir sobre a bunda da colega de trabalho, talvez também versará sobre Asics, Mizzuno, relógio que mede frenquência cardíaca e a meia maratona do rio de janeiro.
O comodismo infelizmente baterá a sua porta, mas isso também não é sinônimo de monotonia. Não porque você estará se rendendo e desistindo de viver, mas porque aprenderá a esperar. Uma das maiores lições das primeiros 3 décadas da vida é lidar com a angustia da espera. A juventude não sabe esperar. Você agora será um jovem, mas que sabe esperar. De uma hora para outra passará de destemido aventureiro e contador de histórias a um ouvinte. Terá grande chance de a vida ter lhe ensinado o poder de ouvir. E isso não significa que tuas histórias estarão rarefeitas. Terás muitas histórias, mas alta probabilidade de que antes de contá-las você perceba que não é Cristovão Colombo, e a América continua sendo descoberta pelos mais jovens. Curtirá quieto e dividirá em doses homeopáticas com as pessoas certas.
Por volta dos trinta anos, o botox deixa de ser algo distante e tudo aquilo que a CAPRICHO falava quanto ir ao sol sem protetor solar será lembrado. Você já terá procurado no google o significado de colesterol, triglicerídeos e HDL. Já terá questionado os amigos médicos sobre implante capilar. Já terá histórias de insucesso na hora "h" e não terá mais tanta vergonha disso, afinal quem está na chuva é para se molhar. Provavelmente terá consciência de que precisa se dedicar ao trabalho e que o excesso de horas abstinente de lazer tem reflexos. Aprenderá a gerir, mas não necessariamente colocará em prática, pois ainda será cedo. Nessa época você tem muitas chances de estar passando por pressão no trabalho, aumentando sua responsabilidade. E diminuir o ritmo ainda será um devaneio.
Pode ser que a palavra filho se torne um desejo, e ao pensar na abdicação dos prazeres por um ser que te chame de pai/mãe nem sempre terá instantânea crise de pânico ou mudará de assunto batendo três vezes na madeira. Amigos estarão noivando, casando, e os mais ligeirinhos desquitando. Você estranhará a falta de conhecimento de um indivíduo de 18 anos, ... "mas como não conhece Ferris Bueller?!".  Talvez comece a estranhar a forma como esse mesmo indivíduo fala com os amigos. Ou pode até ser que aos poucos se perceba incomodado por falar igual a ele.
Não necessariamente você estará se sentindo velho, mas ao menos uma vez por semana pronunciará uma frase alusiva ao tema.
A vida não muda em um segundo e não é no virar da data que sentirá o peso da idade. Depois de um ou dois meses tu te acostuma, e provavelmente ainda não será a hora de mentir a idade. Tu terá grandes chances de se libertar de depressões e angustias, pois depois de ter patinado e relutado tanto em vencê-las, terá a ajuda da maturidade e a insustentável leveza do ser te favoreverá.
"Eu não abro mão nem por você nem por ninguém ...", mentira, abrirá sim, e talvez essa será tua procura, afinal a palavra "dividir" será mais palatável para você e motivo de orgulho.
Enfim, como uma  adaptação de  Honoré Balzac e suas mulheres, trintão, mas não há de ser nada.

Tuesday, July 03, 2012

Tuesday, June 05, 2012

Thursday, April 26, 2012

Desventura na Repartição Pública





Hoje colocaram uma placa de Área Azul na frente do meu prédio, zona sul do rio de janeiro. Acordei, segui minha rotina diária que consta de um café da manhã e caminhada para o hospital onde trabalho. Ao sair pela portaria do meu prédio, havia um guarda municipal munido de uma caneta esferográfica, rabiscando um papel em frente ao meu automóvel. Costumo estacionar na rua, onde houver vaga no perímetro de casa, pois divido o apartamento e temos somente uma vaga na garagem. Enfim, o Seu Guarda estava me multando. 


Conversei com o cidadão da lei e o mesmo foi direto, não havendo chance de evitar a multa. Recebi a orientação de que a partir daquele instante estaria obrigado a pagar um bilhete para ter a permissão de estacionar por 16 horas no local, já que seria gratuito das 23 horas da noite à 7 horas da manhã do dia seguinte, sendo assim, desembolsaria 16 reais por dia para estacionar na rua. Surpreso, indignado, mas sem tempo para discussão, fui para o trabalho e ignorei a situação temporariamente. Ao sair do hospital, me dirigi a secretaria de transporte/ sub-prefeitura da zona sul do Rio de Janeiro, na Gávea. Ao chegar, um senhor de meia idade, negro, sem dentes naturais, pingente de bijuteria dourada pendente a chamar atenção de quem olhasse, travestido com um uniforme de funcionário da prefeitura, guardava a portaria do local. Perguntei onde eu poderia me informar sobre direitos e deveres do cidadão e as normas de funcionamento da Área Azul. Falei javanês. O senhor não falar meu língua. Mantive a calma. Repeti tentando falar o português mais coloquial possível. Não deu jeito. 


Perguntei onde era o banheiro e adentrei o prédio. 


Logo avistei uma recepcionista, e fui perguntando por informações sobre o que havia me levado até lá. Uma moça, mesmo vendo que eu era o único cidadão presente no recinto naquele momento, pediu para que eu retirasse uma senha e aguardasse sentado pelo atendimento. Sentei e após a primeira meia hora, já com frio devido ao ar condicionado funcionando na função ambiente-gélido, e meio impaciente, levantei, questionando a servidora sobre a demora. A moçoila, provavelmente uma estagiária, com cara de pré-adolescente, assim que levantou o olhar lembrou que eu estava ali e orientou para que eu seguisse ao andar superior. 


Lá um corredor e diversas salas. Com cara de guri sem-freio, entrei em uma delas e perguntei com toda humildade por uma informação. Uma senhora, em slow-motion propositalmente desafiador, veio em minha direção e como se fosse surda, ou se fazendo passar por, me fez repetir a pergunta em tons de voz diferentes até que pudesse entender e solicitar que eu aguardasse um instante. 


Sentei.


O ambiente era gélido, típica repartição pública de aspones. A mulher seguiu até a sua mesa e por lá ficou uns minutos. Levantei impaciente, questionando se ela poderia resolver meu problema ou no mínimo abreviar minha jornada pela bendita informação sobre como estacionar meu carro na rua da minha casa ou no perímetro dela sem precisar pagar a quantia cobrada pela prefeitura. Eu como cidadão íntegro apostava na existência de um desconto para moradores. 


A velha com roupa de jovem e trejeitos de raposa, com toda petulância de um funcionário público que detesta raciocinar, me olhou, gaguejou devido a incerteza daquilo que estava falando e respondeu que eu deveria comparecer em outra subprefeitura, localizada no bairro de botafogo. Já era fim de tarde e quem conhece o Rio de Janeiro, zona sul e seu trânsito neste horário, sabe o caos que seria atravessá-la. Insisti com a surda-penélope-parkinsoniana. A mesma, após uma sequência complexa de palavras sem sentido e completa ausência de objetividade me entregou um formulário. Li o papel: 


-- Solicitação do Selo de Morador. 


Li por completo, inclusive o verso onde explicava quem tinha direito a esse selo e o que ele proporcionaria ao possuidor. Seria uma forma de ter desconto para estacionar perto de casa. Perdi alguns minutos preenchendo-o e anexado a documentos como certidão de nascimento, contrato de locação do meu imóvel, documento do carro, atestado de bons antecedentes, comprovante de quitação eleitoral, entre outros, entreguei-o a donzela sênior. Ela vestia um micro vestido apertado, magra, mas com sobras de pele, cabelos descoloridos, gengivas pretas e bafo de café preto com cigarro. Mas um jeitinho de gatinha de Copacabana a procura e um perfume tão penetrante quanto nauseante . 


O Quadro-da-dor como se diz em Porto Alegre.


Após a entrega do documento de inscrição-para-inicio-do-processo-de-solicitação-de-um-Selo-de-Morador, fui informado que me faltava uma certidão reconhecida em cartório e assinada pelo bispo e carimbada pelo bisneto do Dom Pedro. Burocracia é pouca. Já acostumado com o sistema cordial e agradável de sempre-dificultar a vida do contribuinte, mas praticamente no limite da minha paciência, dirigi-me ao cartório mais próximo. Vou poupá-los da descrição daquele ambiente. 


Ao retornar, ofegante, porém esperançoso, me fiz notar mas não houve reação da servidora pública.


Após trinta minutos de espera, a boneca vem com aquela cara de china aposentada em minha direção. Com uma espécie de prazer velado naqueles olhos coloridos por lente azul e alo preto ao redor, ela ainda com um sorriso maroto naquela cara exemplar do que o sol pode fazer com um ser humano que o abusa, me avisa sem sequer tomar de mim a tal certidão.


-- Senhor, não vai dar. Não foi possível ingressar com o processo de solicitação de avaliação pessoal para pedido de posse de selo identificador de habitante da cercania referida pelo senhor, senhor. Vou estar pedindo a gentileza para que o senhor leia com atenção este documento autoexplicativo...


Entregou-me um calhamaço de papel cujo cabeçalho referia ser a “Lista de pré-requisitos para inscrição-para-início-do-processo-de-solicitação-de-um-Selo-de-Morador, referente a isenção de taxa de parquímetro em Área Azul”.


Comecei a ler incrédulo. Páginas de pleonasmos. Fechei os olhos, baixei a cabeça, respirei. Tornei a olhar a leoparda-em-rosa-pink que me olhava penetrante nos olhos. 


--Senhor, preciso estar alertando o senhor para facilitar o processo de leitura e poder estar ajudando, o senhor, que a sua checagem de requisitos para solicitação do documento supracitado não confere. O item 32, referente à garagem no prédio, ou seja, o senhor possui um imóvel no qual consta haver vaga para estacionamento, logo, não será possível enquadra-lo em tais requisitos e infelizmente o senhor não goza do direito supracitado.


Não pisquei. Não reclamei. Inspirei o máximo de ar possível e sem demonstrar minha profunda irritação, agradeci. 


Voltei pela rua parte do tempo com a cabeça vazia, em estado de exaustão psíquica, outra parte do tempo imaginando como seria dali para frente convencer diariamente o guarda municipal a não me multar. Enfim, o meio atraindo o contribuinte honesto à prática da corrupção cotidiana.






Burocracia não mata, mas corrompe.


O Ditador

Thursday, April 19, 2012

Almost Furious like Michael Douglas

Burocracia: É uma organização ou estrutura organizativa caracterizada por regras e procedimentos explícitos e regularizados, divisão de responsabilidades e especialização do trabalho, hierarquia e relações impessoais.
Respirando...
Traduzindo, é uma maneira de sacramentar a inoperância e falta de vontade, favorecendo o  espirito de porco do prestador de serviço em nome dessa tal relação impessoal. Quanto mais burocracia, maior a folga, maiores os espaços para os espertalhões levarem vantagem e os bem intencionados, arrancando os cabelos, pagarem a conta.
O maior teste de paciência ao indivíduo bem intencionado é tentar cooperar com essa tal organização.
Contando até dez ...
Não posso escrever a quantidade de sinônimos de baixo calão que me passam pela cabeça neste momento.
Xingando a mãe da atendente de telemarketing da maldita empresa de linhas aéreas...
Mais calmo agora.
Problema não solucionado, mas fúria dissipada.
Boa noite.

Thursday, February 02, 2012

"Agora e sempre, filha" - Concurso Oswaldo Montenegro

Trabalho do Vídeo Maker Diógenes Fritsch de Moraes para o concurso Oswaldo Montenegro ...