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Sunday, April 13, 2014

Futebol, aprendendo cidadania com os orientais.

Assistindo reportagem sobre um jogo de futebol ocorrido em região japonesa devastada por terremoto e tsunami, captei um detalhe que distingue aquele povo do povo latino americano, principalmente de nós brasileiros.
Uma  partida que colocou frente a frente, ex-jogadores japoneses e estrangeiros, ídolos por lá, e crianças entre 6 e 9 anos, futuras promessas esportivas ou simplesmente alunos de escolinhas de futebol, todas elas marcadas pela tragédia do dia 11 de março de 2011, em que milhares de pessoas perderam a vida e outras milhares herdaram terras devastadas e desalento.

Resultado do jogo: vitória dos adultos. Os japoneses sempre nos ensinando como lidam com a vida, sempre demonstrando que o mais importante para eles não é a vitória em sim, mas como o seu povo reage e aprende com a derrota. Neste caso as crianças filhas e vítimas de uma tragédia não foram criadas em função de fantasia de supercapacidade, de injeção de autoestima. Tiveram o contato com os ídolos, doações e o carinho de todos, mas perderam o jogo.
Provavelmente após a partida sem ter consciência de tal fato, essas crianças assimilaram que quem vence na vida é o mais experiente e o mais preparado. Uma gentileza dos mais experiente com essas crianças. Certamente muitos aprenderam o significado da derrota e o significado da experiência, leia-se, preparo, capacitação. Acho muito bonito a forma como povos como esse nos ensinam a lidar com as questões do dia a dia. O esporte é uma plataforma através da qual as crianças aprendem os conceitos de cidadania, podendo a partir de condições básicas de sobrevivência atingir o status de cidadãos no futuro.
O resultado muito além do cunho esportivo é demonstrado na forma como lidam com as dificuldades.
Sou um apaixonado por esporte e acredito assim como os orientais em como ele pode talhar cidadania nas crianças.

Hoje é dia de finais dos campeonatos estaduais pelo Brasil. Grenal, cruzeiro-atlético, vasco-flamengo. Torcidas apaixonadas. Muito bonito, mas um reflexo da imaturidade da nossa sociedade. Vandalismo, ignorância e perda total do espirito esportivo. Atitudes praticadas não só por jovens arruaceiros dentro e fora de estádios. Mas por muitos de nós cidadãos que esquecemos que o futebol é só futebol, independente do tamanho da nossa paixão, e que  segunda-feira é o dia para brigar,  no trabalho, em  família. Brigar, eu digo, superar da forma mais consciente as tragédias e os absurdos socais brasileiros.

Todos nós sabemos que o assistencialismo, um sistema educacional primário deficiente não ensina nossos jovens. Nós absurdamente confundimos as coisas. Por aqui, muitas vezes, se não a maioria, futebol é mais importante que a realidade, vitória é mais importante que a sabedoria, nossas tragédias socais são desculpas para o assistencialismo e o conformismo. São desculpa para extravasamento da insatisfação social, falta de educação, stress e violência.

Em um debate, dizer que futebol não leva a nada, é um argumento vazio. Mas aceitar uma nação que vive o esporte nacional como se fosse mais importante que a própria história e suas próprias mazelas é um absurdo. Questionam-me se a Copa é a culpada por todos os males. Penso que respondi com o meu ponto de vista essa pergunta.
Quando me perguntam se eu acredito que os políticos em geral são os causadores do que hoje  é nossa sociedade, prefiro responder que o problema é mais complexo, está na cultura e educação precária. Nós somos os políticos  e hoje talvez veremos alguns exemplos disso.

1 comment:

JoeFather said...

Sou fã também do modo de vida oriental, de sua força, sua resistência às intempéries, de seu respeito pela vida, pelas pessoas, de seus ensinamentos aparentemente tão claros e ao mesmo tempo tão complexos, que novamente aparentemente não pode ser percebido por um ser despreparado, emocionalmente falando. Parabéns pela narrativa. Abraços renovados!