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Saturday, June 07, 2014

A culpa é das estrelas

"A copa do mundo foi perdida fora de campo." É com essa frase que eu começo uma reflexão. 
O que os críticos, como Fernando Gabera, autor da frase acima, querem dizer ao posicionarem-se contra a Copa? Já percebo em muitos amigos um desconforto em não torcer para nossa seleção de futebol. Porque não? Seria um contrasenso e atitude desvínculada as reinvidicações sociais que povoam a mente de todos nós?
Para muitos não há lógica em refutar um evento tão grandioso e cheio de significados afetivos quanto esse que se aproxima. Eu mesmo estou de certa forma confuso. 
Remeto-me a uma outra reflexão que dias atras passei para a tela do meu computador ... "Com o passar do tempo, menos convicções permanecem. Mais vejo que homens de muitas convicções podem por ventura cometer deslizes semânticos e pecar pela confusão, escorregar, perdendo a razão. Aprendi a diferenciar a mudança de opinião e a readaptação ideológica, da falta de conteúdo e/ou dissimulação.

Outrora desconfiava de sujeitos indecisos, que ao meu ver oscilavam seu ponto de vista, hoje tenho medo daqueles que tudo veem com o olhar da razão. Passei a não reconhecer reavaliações de perspectivas e alterações de rota como ausência de credibilidade. Entendo isso como virtudes. Assim como toda unanimidade é burra, todo convicto é um inocente. Convicções são, porém, necessárias. São a segurança e a confiança para batalhas do cotidiano, mas ao meu ver são interruptas, passíveis de adaptações. Agregamos valores e derrubamos certos dogmas.

Parece-me justo, à luz da minha humilde, porém faminta experiência de vida, que o homem evolui traindo as suas próprias convicções, e por mais paradoxal que pareça, quanto maior a maturidade, maiores os conflitos, em contra partida, maior a tranquilidade perante esses embróglios existenciais. Sua consciência líquida entende as nuances e alterações sócio culturais a sua volta, o que o desembrutece, o torna flexível. Mais fluido seria o seu caráter, e ao mesmo tempo, menos corruptível o indivíduo." 

E com essa filosofia que eu continuo a reflexão... muitos não gostam de filosofia ... mas ao meu ver é ela a quem recorremos quando as respostas estão embrulhadas na boca do estômago. Porque não estar feliz com a copa? 
Ontem a noite fui ao cinema despretenciosamente ver uma adaptação para as telas, de uma obra de John Green, um jovem e aclamado escritor norte americano. Seu estrondoso best seller vem tocando a alma de milhões de jovens adultos mundo a fora. Pois bem, a história de Hazel Grace, uma menina de 16 anos que desde os nove luta contra o câncer de tireóide. Ela tem o pulmão tomado por implantes tumorais. Não há cura, e a partir dessa realidade a menina e sua familia são catapultados a um jornada introspectiva, buscando a aceitação para a morte e reconhecimento de valores primordiais da vida de um ser humano. Filme triste. Não li o livro. Nunca imaginei-me tocado por uma obra ficcional com rótulo de best seller. Já fui um convicto. Nunca li ou dei atenção a best sellers. Sempre me soaram vazios e simplórios. Mas as convicções existem para serem vencidas. Hazel Grace, 16 anos, americana, estágio terminal. Dependente de tubos de oxigênio, médicos, enfermeiras, instituições de saúde. No livro é mostrada a dignidade com que uma cidadã deveria ser tratada no estágio final da vida. Tanta dignidade que não há culpados por aquele mal. A vida flui até o fim amparada pelo carinho de todos ao redor, a tal ponto que é colocada a culpa por tudo nas estrelas.
Interessante, A Culpa é das Estrelas. No mínimo curioso o paralelismo do enredo e do título com a realidade da saúde pública brasileira. Aqui, reflita você, com qual dignidade fluiria os ultimos meses de vida de Hazel Grace? Só de imaginar a fila do sus, o difícil acesso aos hospitais modelos, como o Hospital da Criança Santo Antônio em Porto Alegre, que existem, mas são insuficientes perante a imensa quantidade de carentes por todo país, já me dá falta de ar.
Lá, a culpa é das estrelas. Lá a jovem tem toda a condição de simplesmente viver os últimos momentos, praticar a reflexão e atingir o climax de final de vida com suavidade e dignidade. E aqui? Como seria? A culpa seria de quem? As únicas respostas que eu posso obter é ... a culpa é das Estrelas, se é que me entendem. 
Não torcer para copa para alguns representa lutar contra os descasos do partido da estrela que desastrosamente geriu nossa nação nos últimos 12 anos. É tentar de forma deseperada acordar de um pesadelo. Para muitos isso não faz sentido. A ambiguidade intrínseca do ser humano, nos faz titubear se vale a pena lutar simbólicamente negando o futebol, pão e circo ou se é melhor afogar-se nas glórias e desventuras das estrelas do futebol. Ignorar os crimes das estrelas da política. Festejar de olhos vendados como sempre festejamos o futebol e só voltar a acordar para realidade uma semana após a copa. Ao menos espero que aí sim, em algum momento acordemos. 

Tuesday, June 03, 2014

Filosofia do dia: o convicto.

Amadurecimento do indivíduo, altruísmo não-utópico, flexibilidade, sociedade e bem estar comum.

Com o passar do tempo, menos convicções permanecem. Mais vejo que homens de muitas convicções podem por ventura cometer deslizes semânticos e pecar pela confusão, escorregar, perdendo a razão. Aprendi a diferenciar a mudança de opinião e a readaptação ideológica, da falta de conteúdo e/ou dissimulação.

Outrora desconfiava de sujeitos indecisos, que ao meu ver oscilavam seu ponto de vista, hoje tenho medo daqueles que tudo veem com o olhar da razão. Passei a não reconhecer reavaliações de perspectivas e alterações de rota como ausência de credibilidade. Entendo isso como virtudes. Assim como toda unanimidade é burra, todo convicto é um inocente. Convicções são necessárias. São a segurança e a confiança para batalhas do cotidiano, mas ao meu ver são interruptas, passíveis de adaptações. Agregamos valores e derrubamos certos dogmas.

Parece-me justo, à luz da minha humilde, porém faminta experiência de vida, que o homem evolui traindo as suas próprias convicções, e por mais paradoxal que pareça, quanto maior a maturidade maiores os conflitos, em contra partida maior a tranquilidade perante esses embróglios existenciais. Sua consciência líquida entende as nuances e alterações sócio culturais a sua volta, o que o desembrutece, o torna flexível. Mais fluido seria o seu caráter, e ao mesmo tempo, menos corruptível o indivíduo."