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Tuesday, July 29, 2014

Terapia do riso.


Acredito na terapia do riso. Rir é o melhor remédio, definitivamente. Porém, existem momentos em que devemos a nós mesmos, a permissão de estarmos tristes. Há povos que velam seus mortos em ambientes bem humorados, e deixam de lado o luto. Eu particularmente não acredito nisso. E a medicina me ensinou, por sua peculiaridade de contato constante com o fim da vida, que devemos sim, calarmo-nos diante do desconhecido, da separação e da tristeza. 


É sábio, e não é dramático, como muitos acham, saber deixar-se levar pelos sentimentos e pelas reflexões. E é assim, de coração aberto diante das mais inusitadas circunstâncias, que recebemos os sinais aguardados. Assim, nos momentos de silêncio, que criamos perguntas a serem respondidas. As respostas são pessoais e intransferíveis. Cabe ao sujeito interpretá-las. Cabe a você estar atento o suficiente a ponto de degustá-las.

O sujeito de bem com a vida cria perguntas simples. Simples porque aprendeu que a vida é complexa se você a tornar complexa. Você não durará para sempre, nem tão pouco seu apego exacerbado o fará poderoso a ponto de manter pessoas na terra mais tempo que elas precisam ou que seu corpo pode aguentar. O sujeito de mal com a vida, aquele que se debate, que insiste em não saborear a mesma, também vive elaborando suas perguntas. Mas perguntas sem respostas. E é aí que entra a frustração. 

Eu acredito, e assim procuro viver, na teoria das perguntas e respostas. Saber viver sorrindo, saber viver à toa. Estamos todos cientes quanto ao dinamismo da vida, e o quanto isso não nos permite em nenhum momento específico, perpetuarmo-nos, por melhor ou pior que seja o instante. É esse fluxo de possibilidades que nos faz tão complexos, mas ao mesmo tempo torna tudo tão simples. Não existe fisicamente a possibilidade de permanecermos felizes para sempre, assim como não há a possibilidade de seguirmos infelizes para sempre. Exceto aqueles que precisam de ajuda médica para saírem de momentos difíceis, o que não os tornam menos humanos, todos sairemos dos maus momentos. Logo, uma coisa é certa, escrever um tratado sobre a felicidade torna-se, de certa forma, perda de tempo e energia. 

Eu por exemplo, hoje, estou feliz. Dei-me o direito de parar em frente ao computador e ler mensagens que há semanas acumulam-se na minha caixa de e-mail e no meu inbox do Facebook. Pessoas que eu não conheço, compartilhando experiências de vida, parabenizando-me ou simplesmente me dando boa tarde. Chamando-me pelo nome, ou de forma íntima e carinhosa, abreviando o mesmo. Milhares. Desconhecidos. De todos os cantos do país. Religiosos, idosos, jovens postulantes à carreira médica dividindo angustias, mães depositando em mim um orgulho como se delas eu fosse filho, viúvas, homens e mulheres ... É tão bom curtir mensagens positivas. É tão bom dar-se ao luxo de curtir o lado bom do ser humano. E foi para muitas delas, que ao lerem um texto escrito por mim em Abril deste ano, emocionaram-se ... texto que circulou por aí como um viral (um trágico relato de um médico plantonista) ... é para essas pessoas que eu escrevo este texto hoje. 

Pode parecer oportunista. Pode parecer dramático. Mas aqueles que isso pensarem, peço desculpa por ignorá-los. Essas pessoas escreveram-me, permitiram-me compartilhar de sua dor por perder um filho, uma mãe ou um amor. Identificaram em mim uma pessoa a quem podiam confiar sua tristeza e quem sabe até achar uma resposta que as tornassem de volta a felicidade. Identificaram-se na história da menina que perdeu a vida no meu plantão e o descaso que causou tudo aquilo. E sentiram-se representadas simplesmente pelo fato de eu não desistir. Nada mais natural. Essa é a realidade. Assim como eu, muitos colegas também não desistem e se sentem representados. 

Assim somos muitos de nós médicos, falo de médicos porque falo da minha experiência, não quero exaltar o médico gratuitamente ou diminuir a importância de outros profissionais ... e guardadas histórias que comprovem o contrário, pois sempre haverão pessoas desencontradas, foi isso que me fez fazer medicina. Isso não tem preço. Espero, de verdade, que essas pessoas se sintam confortadas e representadas por mim e por muitos amigos que eu sei que também passam por isso no dia a dia. O luto não dura para sempre, é fisicamente impossível. Permitam que a vida os conduza às próximas alegrias.

Um grande abraço e desculpem por não os responder em reservado.

Friday, July 25, 2014

Futebol

Futebol, metanálise.

Qual é a relação curiosa entre a rede Carrefour e o futebol? Bom, vamos começar afirmando que futebol não é algo que possamos usar como paralelo fiel ao desenvolvimento social de um país, haja visto que somos o país com maior número de títulos mundiais. Escrevi algumas vezes sobre a relação entre a seleção brasileira e os índices de aceitação  do governo em vigor. Há, por mais que você relute em aceitar, uma discreta relação diretamente proporcional, e ela é inversamente proporcional ao quociente de desenvolvimento humano da nação em questão. O Brasil sofre com essa tal de desigualdade social, um fator que acentua a relação irracional futebol-realidade social/satisfação política. A desigualdade permite ainda  a existência de fenômenos sociais curiosos: por exemplo, permite que Tom Jobim e Mister Catra dividam espaço como membros da cultura popular ... Possibilita que eleitores capazes de igualar esses dois artistas, exerçam o direito de escolher o melhor para o país ... Eu não defendo o fim da democracia, só estou refletindo.

A desigualdade, como todos podem ver, dá margem para que produtos diametralmente opostos no quesito qualidade, equiparem-se em um mercado completamente dominado pela mídia e o interesse econômico ... (não, não vou iniciar um discurso contra o capitalismo, ou condenar o liberalismo econômico).

Não sou adepto de nenhuma filosofia política específica, credo ou modo de produção. Tenho, porém,  gradativamente perdido o respeito por algumas teorias, baseado na minha observação acerca do caráter e histórico comportamental de alguns de seus líderes. Exemplo: o socialismo, o comunismo, e toda e qualquer forma de radicalismos ... Pessoal, pelo amor de deus, não deram certo no século passado, mesmo assim, alguns jurássicos defensores insistem, outros oportunistas aproveitam, e claro, uma parcela, do bem e passional, prefere continuar acreditando mesmo não conseguindo se fazer entender quando questionada sobre a praticidade da teoria.

Que fique claro, sou praticamente um "Maria vai com as outras".... Apesar de possuir minhas ideologias, eu "fraquejo" e prefiro não me definir como defensor perpétuo de alguma delas. Prefiro ser aquele sujeito que vê tudo de longe, deixa passar a ressaca e se posiciona conforme o que me parecer mais lúcido e coerente. Opinião é algo perigoso. Gera mais inimigos do que amigos e na maioria das vezes é emitida para logo em seguida ser refutada. Quanto mais você aguardar para emitir opiniões,  maior a sua chance de fincar a bandeira em território firme e de fertilidade garantida pela coerência ... de tal forma a impedir que fortes ventos a derrubem.

Quando falo de mídia, quem é a mídia? Bom, resumindo, mídia na minha concepção é o produto de forças aleatórias, de diferentes origens e direções, que ao convergirem geram um vetor resultante, este, acaba por impulsionar as pessoas e ditar suas vidas. O Mercado, a ideologia ou a falta de ... , os interesses, a imprensa, o marketing, a indústria... Todos somados resultam na batata frita mais batata frita de todos os tempos, no gadget mais maneiro de todos os tempos, no artigo de luxo mais imprescindível à sua vida e que você precisa comprar ontem para poder dormir melhor amanhã. O vetor resultante transforma tudo que toca. Deixa tudo mais atraente como um passe de mágica.

Não acredito em teorias da conspiração, e se ela existisse, eu deveria defender existência de uma sala envidraçada com um imenso relógio de ponteiros Hublot na parede, com vista para o rio Hudson, ar condicionado, confortáveis cadeiras giratórias ao redor de uma mesa de pedra do muro das lamentações; dezenas de monitores lcd fullhd 60" ligados em tudo que se passa na Terra. Nesta sala, a comissão de gênios maquiavélicos: a mídia ... detentores do poder de influenciar a humanidade. Estes sujeitos geram as famigeradas forças, que então convergem, gerando por sua vez resultantes que previsivelmente chegam ao efeito e ao resultado que desejam sobre a vida do cidadão comum. Manipulando assim suas escolhas.

Pessoal, isso é piada. Somos nós que atraímos as forças e acatamos o poder da mídia. Mídia essa, que não passa de uma parte do todo. Não existe tal "sala de controle mundial das pessoas". Mas você sim, enxerga, interpreta e consome o que quer, baseado no seu intelecto e consciência; e na habilidade de se desapegar mais ou menos da última. Leva sua vida da forma que desejar, tem as relações sociais e de trabalho baseados naquilo que você planta. Estou errado? Enfim, demos continuidade ao raciocínio.

Onde entra a tal história do Carrefour? E que diabos tem a ver o Carrefour com o futebol? Bem, certa vez na faculdade, um professor tentando explicar o significado no meio científico da palavra "viés", fez uma alusão semelhante a que lhes sugiro agora, e é a partir desta que eu faço a minha  tentativa de explicar como eu vejo o futebol, o que ele significa, e como ele é digerido pelas pessoas.
Olhe você o logotipo da marca Carrefour:


Acredito que muitos de vocês desde a infância acreditou que era a cabeça do mascote da empresa. Aquele logo azul e vermelho. Não é o Marvin, o Marciano? é, não é? Olhe bem. Olhe melhor ... Você não havia percebido, e essa foi a intenção e a genialidade dos criadores. Você sempre pensou que era cabecinha de um boneco, o precursor dos emoticons, mas não passa de uma representação gráfica da letra C. Se isso fez você comprar mais no Carrefour eu não sei, mas que povoa a sua mente e dá status de empresa top of mind  a empresa, isso posso afirmar. É o poder do marketing, o poder da mídia em fazer você enxergar mais do menos.

Futebol é um esporte coletivo, dependente da qualidade técnica e física dos jogadores, da postura em campo. Depende da capacidade, do esforço e da habilidade. Sim. É impossível prever e afirmar a fórmula da vitória. O Brasil foi campeão invicto em 1994, pasmem, com o Dunga de capitão, o Mazinho entre os titulares e o Romário de craque do time. Tchê, onde está a lógica? Falam que falta logística ao futebol brasileiro. Falam que falta tudo no mercado brasileiro de futebol. Falam que futebol é mais que um esporte. Nem parece que futebol acontece em 90 minutos, dentro de 4 linhas, com um time de cada lado, de preferência jogando um contra o outro. Nem parece que galáticos como Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar e cia são meros jogadores de futebol, e por sua vez atletas. Parecem mitos de uma religiosidade meio oculta no coração do homo-sapiens. Mas por favor, são atletas e não é porque parecem mais bonitos na propaganda da Coca ou da Gillette que vão levantar uma Copa do Mundo.

O Romário ganhou a Copa para o Brasil, com a ajuda do Dunga. O Romário não treinava e era indisciplinado. O Dunga nunca passou de um jogador mediano, somente selecionável por ser "bom de grupo". Não havia seleção melhor que aquela? Futebol é imprevisível. Derruba os apaixonados e os opiniáticos. Não depende só de  dinheiro.  Depende de esforço e condições básicas para que a  habilidade aflore, crie-se o espírito esportivo, atinja-se a capacidade pulmonar de correr por 90 minutos chutando a bola e coordenação motora para que ela vá o mais perto de onde o cérebro mandar. Em outras palavras, quem nesses quesitos fizer o melhor ganha.

Na minha visão, tudo que se falou até agora na imprensa sobre a seleção brasileira é baboseira. Filósofos do futebol, por favor, a única função de vocês é preencher o tempo livre do cidadão comum no horário de almoço, no trânsito enquanto enfrentamos um congestionamento, etc. É mimetizar o Pedro Bial, preencher com conteúdo um intervalo de tempo onde ninguém quer gastar energia vital refletindo. Só queremos nos entreter. Ser cronista de futebol é fazer eu passar o tempo em que não quero pensar em política, no trabalho e na criminalidade urbana. É de vocês também a função de criar o maior número de pautas para preencher o meu tempo em que minha mulher não está por perto ou que eu não tenho que estudar, é acirrar a rivalidade entre clubes e assim gerar mais receita ao mercado. Agora por favor, não levem-se vocês mesmos a sério. Vocês estão falando de futebol. Vocês não falam da guerra entre palestinos e israelenses. Falam de futebol e os teus personagens são tão importantes para a humanidade quanto a Luciana Gimenez, o Chay Suade (wtf?!) e a Cláudia Leite. Tá, peguei pesado. Um pouco mais importante. Ok.
Amigos, olhem para o que vocês entendem por futebol. Olhem bem. Olhem melhor ... Agora me digam, vocês vêem muito mais do que um esporte, não? Por favor, me sinto um idiota por fazer parte deste circo, perder tempo amando algo que é esporte, a mídia vende como religião, o cidadão consome como bem de subsistência, é capaz de brigar por ele e/ou perder mais tempo que o necessário; os jornais teimam em  reeditar como Ilíada e Odisséia. E todos teimamos em não enxergar a genialidade  e o poder de transformação que a mídia exerce sobre nós.
Futebol meus amigos, entretenimento elevado a bem de consumo primordial. Olhem melhor que vocês enxergarão. Para finalizar, façam me um favor: amanhã quando me verem comemorando com o meu time histericamente, não me julguem, os velhos casmurros amantes do futebol são assim, Ciclotímicos. Sorte a sua por ser evoluído.

Friday, July 18, 2014

A Copa das Copas.


Apesar da grande reviravolta no quadro político que a derrota de ontem pode representar para o Brasil, e o que tudo isso pode representar nas urnas em Outubro, não consigo estar alegre, vibrante ... como se a copa fosse somente política e a vida não tivesse como tempero a ignorância, ela, a mantenedora da felicidade. Fui duro comigo mesmo. 

Não ignorei a realidade. Ver a possibilidade de por mais absurdo que pareça, uma derrota na copa mudar o destino de um governo, não apaga a ressaca moral do amante do futebol, que mesmo quieto, pouco vibrante, não conseguia secar a distância a seleção. 

Meu lado lúdico e apaixonado me fez acordar hj c um contrangimento meio surdo, meio míope, meio dormente ... 

Mesmo sabendo que futebol no panorama em que nos encontramos não passa de uma droga com alto poder anestésico e com catabólitos estimulantes da confiança popular no governo, fiasco é fiasco. Fiasco no futebol é fiasco no futebol. Fiasco na copa é fiasco na copa ... e eu me senti humilhado, mesmo ignorando e vendo tudo meio na diagonal como se aquilo não fosse comigo, fazendo piadinhas calhordas com os amigos no whatsapp.

Não precisava eu ser tão duro comigo mesmo, ignorar as milhares de horas de narração mental de futebol de meia no parquet da casa da minha avó, driblando o cachorro e fazendo gol na mesa de jantar ... "guilherme passa para pelé, que rola para romário, garrincha corre pela ponta, recebe, faz o corta luz, Paulo Nunes cruza, Jardel desvia, guilherme domina no peito e enche o pé... Tá lá! É do Brasil!!!"... Era eu imaginando a multidão de brasileiros me ovacionando c o gol do título do mundial no Brasil. 
Imaginava assim como muitos outros garotos da minha idade. Sonhei muitas vezes com a copa no brasil. E não foi fácil ignorá la. Não foi fácil ter a sensação de indiferença ao evento e de estranheza com toda a "alegria" que passei a ver a partir de um determinado momento, em que a mídia avassaladora da fifa invadiu o coração dos brasileiros.

Não precisava esse governo, essa presidente e sua patota de bajuladores, comedores de acepipes em salas com
ar condicionado ... oportunistas, marketeiros e especialistas em superfaturamento, desvio e má aplicação do dinheiro público ... Não precisava terem me afastado do romantismo do "meu" futebol. Deixei de ser feliz. Não precisava essa gente retirar de mim o que há de mais bonito no esporte, a fantasia. 
Mexeram no bolso, mexeram na saúde, mexeram na qualidade de vida, não tem como continuar a fantasia, mexeram com o meu intelecto. Impossível esquecer tudo o que eu enxergava de errado.
...

Outra coisa que me dá desanimo é ver certos comentários por aí ... Tá se for piadinha, mesmo que infâme, ok, até vai, damos risadas todos, a ironia ta aí para deixar a coisa toda mais leve... Mas julgar profissionais por ganharem
altos salários e por terem perdido de goleada ... e acreditar nisso, acreditar que esse é o problema ... aí já é demais.

Tá bom, nosso jogadores ganham milhões para jogar futebol. Não jogaram, dançaram na boquinha da garrafa e blábláblá...mas mesmo assim não são menos honrados que os gringos. Milhões também ganham os jogadores da Alemanha e nem por isso deixam de ser respeitados pelo povo de lá. Talvez se perdessem tb não deixariam ... Milhões ganham nossos jogadores e nem por isso deixam de ser brasileiros e menos merecedores de respeito. Nem necessariamente os aproxima de personalidades corruptas fazendo corpo mole. Foram ridículos. Foram. Foi um jogo vexatório. Tá bom. Me assusta essa confusão existencial de muitos dos meus compatriotas.

Tá, Fred e cia foram muito mal, o fred inclusive, não era para estar lá ... O neymar era o único craque de verdade. O tal de Oscar coitado, amarelou. O serelepe e franzino Bernard, tem futebol no pé, mas não é craque. Seleções não são feitas só de craques. Craques não nascem nas margens plácidas do Ipiranga com o grito mágico e perpétuo do D.P I ... Tivemos a sorte de ver alguns craques com a camisa amarela, mas isso não é garantia de eterno monopólio. 

Mitos não são feitos só de talento. Nem todos os craques vivem na mesma era ou são predestinados a pertencer a uma única nação. Desgosta me ver essa nossa mania fatalista de realizar a sublimação da idolatria para o expurgo. Honra não se constrói somente por merecimento. As circunstâncias são determinantes. As circunstâncias neste caso, a superioridade absurda de controle emocional, confiança, eficiência e objetividade típica do jogador alemão. Não acho que não nos honraram. Eles somente não foram capazes de evitar a desgraça futebolistica. 7 a 1, e alemão brincando de bobinho. Não deixaram de ganhar porque não se esforçaram, mas porque não nasceram todos com a genialidade, se abateram com a pressão e ficaram mais perdidos em campo que um cidadão amaurótico em meio a um tiroteio. Os adoradores de chucrute tb não venceram porque são mais evoluídos moralmente que o povo ou o jogador brasileiro. Não interessa neste caso o status da economia alemã ou o nível cultural do povo. Não interessa a desigualdade social brasileira e nossas mazelas. Não foram essas circunstâncias que determinaram o resultado avassalador. Foi só futebol. E futebol é assim. 
Justamente por ser esse fenômeno bizarro e imprevisível que esse esportezinho do capeta se tornou um dos temas que mais mobiliza nações e apaixonados mundo a fora. Dentro e fora de campo. 

Esse mesmo futebol, tb mobiliza máfias, especuladores, aproveitadores, oportunistas... Justamente os que aproveitaram a guarda baixa de uma nação para exaurí la, sugando tudo e o quanto puderam sugar. Não interessa se foi vendendo um ingresso cortesia por 3000 reais ou fazendo acordo com políticos ... ganhando licitações de obras faraônicas. 
A sorte que nos faltou na safra de jogadores de futebol, sobrou nos nesse quesito. Somos campeões mundiais em Maracutaia, top of mind, forever and ever ... nem precisa mais jogar. Mesmo que isso não seja exclusividade do Brasil, é algo que me tira muitas vezes o prazer de ser brasileiro. Nascem craques a cada dia que passa. E especificamente nessa era, nessa década e nessa copa, tinhamos uma seleção de peso. 

Pegaram Pelé, Maradona, Zico, Falcão, Nilton Santos, Platini, Kruyff, Zidane e os fizeram encarnar como políticos, empreiteiro e afins. Foram todos para as bandas do Brasil. E como ganharam dinheiro. Para esses o foco era aumentar o intervalo-não-lúcido do povo, da imprensa e dos formadores de opinião. Só queriam atuar com maestria sem resistência da defesa. E eles nos venceram. Tocaram mais de sete. A cada minuto que passava via um gol desses prodígios. Eles me venceram. Fugi. Me afastei o quanto pude da copa, pois esses indivíduos, sabe se lá quem são eles, incrustrados na nossa sociedade, me impediram de entrar na fantasia. Fui duro comigo mesmo. E ontem olhando pela televisão de um pub novaiorquino, repleto de gringos ao redor vibrando com a derrocada do ex-gigante do futebol, rindo como se um time de moleques estivesse sendo humilhado na praça da vizinhança ... Eu, olhando tudo meio que na diagonal, meio de olhos fechados, desviando o olhar e fazendo como se não fosse comigo ... Pensei, tchê, me ganharam.
Perdi a copa no Brasil, ignorei a copa no Brasil. É melodramático, mas não deixa de ser verdade, além de tudo que já nos fizeram, conseguiram me fazer perder a copa, ignorar a copa. E pode ter certeza que eu a esperei por muitos anos, até perdê la de vista e fazer que aquilo não era comigo. Mas como diz o ditado popular .."o feitiço virando contra o próprio feiticeiro..." Quem sabe o meu oportunismo e o de muitos outros "filosofos do facebook" não contagie muita gente que estava enfeitiçada pelo canto da sereia? Vai que sim? Ontem tinhamos milhões de técnicos, hoje talvez milhões de críticos acordando e pensando no seu futuro. Agora foi.