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Friday, July 25, 2014

Futebol

Futebol, metanálise.

Qual é a relação curiosa entre a rede Carrefour e o futebol? Bom, vamos começar afirmando que futebol não é algo que possamos usar como paralelo fiel ao desenvolvimento social de um país, haja visto que somos o país com maior número de títulos mundiais. Escrevi algumas vezes sobre a relação entre a seleção brasileira e os índices de aceitação  do governo em vigor. Há, por mais que você relute em aceitar, uma discreta relação diretamente proporcional, e ela é inversamente proporcional ao quociente de desenvolvimento humano da nação em questão. O Brasil sofre com essa tal de desigualdade social, um fator que acentua a relação irracional futebol-realidade social/satisfação política. A desigualdade permite ainda  a existência de fenômenos sociais curiosos: por exemplo, permite que Tom Jobim e Mister Catra dividam espaço como membros da cultura popular ... Possibilita que eleitores capazes de igualar esses dois artistas, exerçam o direito de escolher o melhor para o país ... Eu não defendo o fim da democracia, só estou refletindo.

A desigualdade, como todos podem ver, dá margem para que produtos diametralmente opostos no quesito qualidade, equiparem-se em um mercado completamente dominado pela mídia e o interesse econômico ... (não, não vou iniciar um discurso contra o capitalismo, ou condenar o liberalismo econômico).

Não sou adepto de nenhuma filosofia política específica, credo ou modo de produção. Tenho, porém,  gradativamente perdido o respeito por algumas teorias, baseado na minha observação acerca do caráter e histórico comportamental de alguns de seus líderes. Exemplo: o socialismo, o comunismo, e toda e qualquer forma de radicalismos ... Pessoal, pelo amor de deus, não deram certo no século passado, mesmo assim, alguns jurássicos defensores insistem, outros oportunistas aproveitam, e claro, uma parcela, do bem e passional, prefere continuar acreditando mesmo não conseguindo se fazer entender quando questionada sobre a praticidade da teoria.

Que fique claro, sou praticamente um "Maria vai com as outras".... Apesar de possuir minhas ideologias, eu "fraquejo" e prefiro não me definir como defensor perpétuo de alguma delas. Prefiro ser aquele sujeito que vê tudo de longe, deixa passar a ressaca e se posiciona conforme o que me parecer mais lúcido e coerente. Opinião é algo perigoso. Gera mais inimigos do que amigos e na maioria das vezes é emitida para logo em seguida ser refutada. Quanto mais você aguardar para emitir opiniões,  maior a sua chance de fincar a bandeira em território firme e de fertilidade garantida pela coerência ... de tal forma a impedir que fortes ventos a derrubem.

Quando falo de mídia, quem é a mídia? Bom, resumindo, mídia na minha concepção é o produto de forças aleatórias, de diferentes origens e direções, que ao convergirem geram um vetor resultante, este, acaba por impulsionar as pessoas e ditar suas vidas. O Mercado, a ideologia ou a falta de ... , os interesses, a imprensa, o marketing, a indústria... Todos somados resultam na batata frita mais batata frita de todos os tempos, no gadget mais maneiro de todos os tempos, no artigo de luxo mais imprescindível à sua vida e que você precisa comprar ontem para poder dormir melhor amanhã. O vetor resultante transforma tudo que toca. Deixa tudo mais atraente como um passe de mágica.

Não acredito em teorias da conspiração, e se ela existisse, eu deveria defender existência de uma sala envidraçada com um imenso relógio de ponteiros Hublot na parede, com vista para o rio Hudson, ar condicionado, confortáveis cadeiras giratórias ao redor de uma mesa de pedra do muro das lamentações; dezenas de monitores lcd fullhd 60" ligados em tudo que se passa na Terra. Nesta sala, a comissão de gênios maquiavélicos: a mídia ... detentores do poder de influenciar a humanidade. Estes sujeitos geram as famigeradas forças, que então convergem, gerando por sua vez resultantes que previsivelmente chegam ao efeito e ao resultado que desejam sobre a vida do cidadão comum. Manipulando assim suas escolhas.

Pessoal, isso é piada. Somos nós que atraímos as forças e acatamos o poder da mídia. Mídia essa, que não passa de uma parte do todo. Não existe tal "sala de controle mundial das pessoas". Mas você sim, enxerga, interpreta e consome o que quer, baseado no seu intelecto e consciência; e na habilidade de se desapegar mais ou menos da última. Leva sua vida da forma que desejar, tem as relações sociais e de trabalho baseados naquilo que você planta. Estou errado? Enfim, demos continuidade ao raciocínio.

Onde entra a tal história do Carrefour? E que diabos tem a ver o Carrefour com o futebol? Bem, certa vez na faculdade, um professor tentando explicar o significado no meio científico da palavra "viés", fez uma alusão semelhante a que lhes sugiro agora, e é a partir desta que eu faço a minha  tentativa de explicar como eu vejo o futebol, o que ele significa, e como ele é digerido pelas pessoas.
Olhe você o logotipo da marca Carrefour:


Acredito que muitos de vocês desde a infância acreditou que era a cabeça do mascote da empresa. Aquele logo azul e vermelho. Não é o Marvin, o Marciano? é, não é? Olhe bem. Olhe melhor ... Você não havia percebido, e essa foi a intenção e a genialidade dos criadores. Você sempre pensou que era cabecinha de um boneco, o precursor dos emoticons, mas não passa de uma representação gráfica da letra C. Se isso fez você comprar mais no Carrefour eu não sei, mas que povoa a sua mente e dá status de empresa top of mind  a empresa, isso posso afirmar. É o poder do marketing, o poder da mídia em fazer você enxergar mais do menos.

Futebol é um esporte coletivo, dependente da qualidade técnica e física dos jogadores, da postura em campo. Depende da capacidade, do esforço e da habilidade. Sim. É impossível prever e afirmar a fórmula da vitória. O Brasil foi campeão invicto em 1994, pasmem, com o Dunga de capitão, o Mazinho entre os titulares e o Romário de craque do time. Tchê, onde está a lógica? Falam que falta logística ao futebol brasileiro. Falam que falta tudo no mercado brasileiro de futebol. Falam que futebol é mais que um esporte. Nem parece que futebol acontece em 90 minutos, dentro de 4 linhas, com um time de cada lado, de preferência jogando um contra o outro. Nem parece que galáticos como Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar e cia são meros jogadores de futebol, e por sua vez atletas. Parecem mitos de uma religiosidade meio oculta no coração do homo-sapiens. Mas por favor, são atletas e não é porque parecem mais bonitos na propaganda da Coca ou da Gillette que vão levantar uma Copa do Mundo.

O Romário ganhou a Copa para o Brasil, com a ajuda do Dunga. O Romário não treinava e era indisciplinado. O Dunga nunca passou de um jogador mediano, somente selecionável por ser "bom de grupo". Não havia seleção melhor que aquela? Futebol é imprevisível. Derruba os apaixonados e os opiniáticos. Não depende só de  dinheiro.  Depende de esforço e condições básicas para que a  habilidade aflore, crie-se o espírito esportivo, atinja-se a capacidade pulmonar de correr por 90 minutos chutando a bola e coordenação motora para que ela vá o mais perto de onde o cérebro mandar. Em outras palavras, quem nesses quesitos fizer o melhor ganha.

Na minha visão, tudo que se falou até agora na imprensa sobre a seleção brasileira é baboseira. Filósofos do futebol, por favor, a única função de vocês é preencher o tempo livre do cidadão comum no horário de almoço, no trânsito enquanto enfrentamos um congestionamento, etc. É mimetizar o Pedro Bial, preencher com conteúdo um intervalo de tempo onde ninguém quer gastar energia vital refletindo. Só queremos nos entreter. Ser cronista de futebol é fazer eu passar o tempo em que não quero pensar em política, no trabalho e na criminalidade urbana. É de vocês também a função de criar o maior número de pautas para preencher o meu tempo em que minha mulher não está por perto ou que eu não tenho que estudar, é acirrar a rivalidade entre clubes e assim gerar mais receita ao mercado. Agora por favor, não levem-se vocês mesmos a sério. Vocês estão falando de futebol. Vocês não falam da guerra entre palestinos e israelenses. Falam de futebol e os teus personagens são tão importantes para a humanidade quanto a Luciana Gimenez, o Chay Suade (wtf?!) e a Cláudia Leite. Tá, peguei pesado. Um pouco mais importante. Ok.
Amigos, olhem para o que vocês entendem por futebol. Olhem bem. Olhem melhor ... Agora me digam, vocês vêem muito mais do que um esporte, não? Por favor, me sinto um idiota por fazer parte deste circo, perder tempo amando algo que é esporte, a mídia vende como religião, o cidadão consome como bem de subsistência, é capaz de brigar por ele e/ou perder mais tempo que o necessário; os jornais teimam em  reeditar como Ilíada e Odisséia. E todos teimamos em não enxergar a genialidade  e o poder de transformação que a mídia exerce sobre nós.
Futebol meus amigos, entretenimento elevado a bem de consumo primordial. Olhem melhor que vocês enxergarão. Para finalizar, façam me um favor: amanhã quando me verem comemorando com o meu time histericamente, não me julguem, os velhos casmurros amantes do futebol são assim, Ciclotímicos. Sorte a sua por ser evoluído.

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