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Sunday, May 22, 2016

A máquina da verdade - Capítulo 1.

Imagine um conto de ficção científica onde uma nação é inexpressiva do ponto de vista geopolítico, porém culturalmente imperialista. Uma comunidade de tendência Liberal e Purista, situada no alto da Cadeia Atlas no continente africano, criada por homens descontentes com a sociedade moderna. Chegando a emancipação e alcunha -  A República de Atlas.

Lá as cidades mais modernas do planeta, incrustadas nas rochas e hermeticamente planejadas. Milhas e milhas de vias no interior das montanhas. Energia sustentável, ausência de desperdícios. Organização plena. O suprassumo da evolução social e econômica do homem. Sociedade capitalista liberal onde o governo não interfere na vida dos indivíduos. A vida e o Mercado não seguem a regência do Estado.  Tornou-se idealmente desenvolvida, industrializada e desprovida de desigualdades. Uma sociedade detentora de uma população geneticamente perfeita, porém, naturalmente delineada. Onde não há crime. Onde não há traços humanos de desonestidade. Onde não há cor ou raça, mas pessoas, cidadãos.

Neste ambiente, membros da comunidade científica local criam através da sua indústria de tecnológica   uma forma de propagar fora de seus limites a cultura da honestidade e retidão de caráter. Seria a vez da subversão da honestidade. Supercomputadores, obras primas da engenharia, protótipo de inteligência artificial  controlada são então programados a reconhecer vozes humanas, emoções, verdades, mentiras, ameaças, e assim passar a interpretar e diagnosticar os humanos corruptos e /ou corruptíveis. A máquina adquire o poder da verdade e do julgamento. Seria a profilaxia da corrupção.

Em solo materno, tal máquina seria estéril, pois não há mentiras. Os programadores então regulam essa virtuosa máquina a cruzar informações entre aquilo que ela interpreta e o conteúdo de bancos de dados da literatura jurídica completa de todas as nações mundiais. Cada peculiaridade, cada nuance dos códigos civis, constituições e afins. Estaria a partir de então habilitada. Fria, silenciosa, incansável, livre de stress e desprovida de medo, desprovida de preconceitos, apta a julgar as inverdades com base no que capta através de suas lentes e sensores. 

A partir de algoritmos-perguntas-e-respostas e dos dados jurídicos infinitamente disponíveis em seu hardware, é capaz de quantificar com exatidão a possibilidade de um indivíduo estar falando a verdade, e por indução, revelar os delitos e possíveis fatos atenuantes da gravidade do delito. No mesmo processo, em questão de milésimos de segundos, o software superdotado cruzando as informações, enquadra o indivíduo em artigos de lei e afins,  gerando o seu  veredicto. Considera então o ser humano em sua frente, culpado ou inocente. Sem perda de tempo, sem falhas, sem vacilos, sem meias verdades, sem emoções, sem segundas interpretações. Sem injustiças.

Em um dado momento da história, um determinado governo subdesenvolvido latino-americano, massacrado por revoltas populares contra a impunidade e a inoperância dos seus políticos entra em contato com a cúpula do país da Cadeia de Atlas. O Governo latino-americano em questão, mantenedor de um regime baseado na popularidade e simplicidade dos seus líderes. Líderes da nação, mas acima de tudo, do Partido. Apelaram para à Nação Ilibada da Cadeia de Atlas por constatarem que o status quo estaria ameaçado pela fúria popular, que tomava as ruas com manifestações.

O povo sempre amigo, agora atordoado, já não vê mais o Partido como bom gestor. Já não culpa mais a oposição, outrora situação reacionária e corrupta, pelo eterno status nacional de país em desenvolvimento, líder mundial em desigualdade social. Poder estatal e qualidade de vida urbana representam neste caso produtos inversamente proporcionais. O sistema vigente agora se sentindo ameaçado, começa a  ruir e o meio urbano gradativamente vai sendo tomado pelo caos. Neste contexto a elite do Partido dominante antevendo a derrocada acachapante, decide operar um milagre e embutir em seu sistema judiciário a mais eficaz das obras já criadas pelo homem. Uma atitude politicamente correta e milimetricamente planejada. Seria a última chance de permanecer no poder. Obedecer às vontades do povo. Saciar a fome de justiça e ofuscar  qualquer desconfiança popular acerca da lisura de caráter dos membros do Partido.

O governo em questão entra em contato com o estado imperialista criador da máquina da justiça. Começa a introduzir a mesma em cada delegacia de bairro. Máquinas que não conhecem valor monetário trabalham incansavelmente sem conotação escravagista. Maquinando freneticamente sem consultar os outrora poderosos ministros do supremo tribunal. Rompe-se um sistema de poder. Juízes gradativamente substituídos. Fóruns esvaziados. Delegacias dando conta do recado. Bandidos de rua sendo sumariamente condenados. STF declara guerra ao governo, mas nada pode fazer, pois o governo dá plenos poderes aos técnicos programadores importados de Atlas, promovendo-os ao alto escalão do partido. Impede o Ministros da Justiça de agirem contra os mesmos, esvazia os poderes da suprema corte. Surgem os Fiscais de Máquinas.

O software revolucionário substitui rapidamente o ministério público, assim como, torna inexpressiva a ação dos defensores. Esta decretado o fim da justiça através do judiciário como se conhecia. Sem tiros, sem violência. Não há mais erros. Não ha mais espaço para interpretações. E assim as máquinas justiceiras vão tomando conta e revolucionando o antigo estado corrupto. Das delegacias passam a ocupar órgãos públicos e privados e a cada dia vão condenando mais e mais delinquentes de todas as classes. As ruas parecem esvaziadas de crimes. Chega a vez dos bandidos de maior gabarito, os outrora intocáveis ex-aliados do Partido. Os amigos dos amigos, os amigos  das interpretações. Chega a vez dos políticos.

O plano do governo era trazer de volta o seu prestígio frente aos indivíduos de bem. A deleção premiada é instituída dentro das câmaras legislativas e cada vez mais legisladores são levados de encontro a análise da máquina. Não se fala em oposição ou situação. Não se fala em regime. Só se fala nas Máquinas da Justiça e o Programa Mais Justiça. Outrora com origens puristas e incorruptíveis em Atlas, o agora “Programa Governamental” bate a porta dos magnatas, da classe média, das elites brancas e dos banqueiros. Voraz. Insaciável. Chega a hora de esclarecer as obras superfaturadas e para onde iria o dinheiro dos impostos daquele povo que latia feito cão raivoso nas ruas meses atrás. Um que outro indivíduo começa a se manifestar contra o novo sistema ainda que com medo do seu furor e precisão. Quem se manifesta não tem direito de omitir uma vírgula, agora mesmo estando apenas equivocado frente a pressão do algorítimo de perguntas-e-respostas. Não há explicação para a máquina, nem possibilidade de autocorreção.

A elite do partido dominante, até então imune às análises do sistema infalível, mantém conversas com os criadores do mesmo. Não poderiam se expor ao senso de justiça de maneira alguma. Os puristas de Atlas então rompem com a maleabilidade de caráter dos seus clientes. Entraves diplomáticos estabelecem-se na mais alta corte mundial de nações. O Partido por pressão de seus amigos e por fraqueza dos minoritários puristas de Atlas ganha o direito de quebrar a patente da Máquina da verdade. Seria a oportunidade ideal para o resto do mundo  livrar-se do imperialismo purista, incorruptível e “danoso” da sociedade de Atlas. O mundo via na adaptação a nas alianças a melhor forma de evitar a expansão da ideologia incorruptível e cega das montanhas. O Partido cria então o Ministério dos Fiscais do estado latino americano. O Foro de São Paludo.

Criam-se então facilidades aos ex-técnicos programadores e agora fiscais da justiça. Estes viram nobres, membros de uma corte, limitada a eles, membros das famílias da cúpula partidária e correligionários. O partido estaria imune. E assim assustadoramente é manipulado um sistema criado por mentes perfeitas e aparentemente inviolável. Inviolável em um país onde não se dominava a arte da politicagem e da cooptação. Onde não havia mestres natos plenamente adaptativos e sagazes. Capazes de dissolver qualquer obstáculo frente a suas estratégias. Esta determinada a corruptibilidade das Máquinas e da pureza criada cultivada no distante país das montanhas.

Somente um homem virgem de ideais políticos poderia manter a correção do sistema. Somente os idôneos e geneticamente delineados homens de Atlas. Mas agora, os programadores importados de lá eram Fiscais Autárquicos e estavam contaminados por uma doença não prevista por seus conterrâneos, a ideologia do Partido. Estavam adaptados ao calor, às praias, as mulatas e as farras sem limites e reprovações, às quais jamais poderiam imaginar em sua terra natal, e por esse motivo não estavam preparados para resistir. Já não mais pensam como membros de Atlas. Definitivamente, todos seduzidos pelas facilidades e pelo ciclo poder-prazer. Nem mesmo a genética foi capaz de torná-los imunes à manipulação do Partido.  A bendita criação e subversão purista imaginada pelos Homens de Atlas não foi párea para a capacidade adaptativa e manipuladora do Partido.


CONTINUA ...

A Polêmica do Shortinho

Artigo publicado no facebook em 28 de Fevereiro de 2016.

"Polêmica do shortinho" (que tomou conta de Porto Alegre). Bom gosto ou mau gosto é uma questão de ponto de vista. E ponto de vista, meu amigo, é alguma coisa que mora entre a tua infância e tua vida adulta, entre a tua família e a cultura da tua sociedade. É um mix da tua essência (aquilo que você sente e não racionaliza) e aquilo que você aprendeu a identificar como certo ou errado.

No Brasil, perdemos a capacidade de discernirmos entre o certo e o errado sem o debate virar bate boca. Se é que um dia a tivemos. Em contra partida, "chegamos" próximos aos países evoluídos culturalmente ao ganharmos a internet para expormos opiniões. O brasileiro, velho bailarino alienado contumaz, vem se tornando a cada dia um opiniático ferrenho. Pena que ainda notam-se opiniões bastante confusas, conclusões frágeis e pouco enriquecimento social objetivamente.

Muitos criticaram o shortinho como sexualização estudantil. Outros defenderam a dureza da disciplina militar. Vi quem enxergasse sob a ótica feminista. E alguns poucos como uma demosntração da consciência política se manifestando espontaneamente naquela escola. Quem leu o manifesto sabe que não se tratava só de um shortinho. Outro dado relevante aqui: 98% dos argumentadores não leu o manifesto, não lê aquilo que compartilha, não lê jornal ou termina um livro que tenha começado.

É válido meninas de 16 anos expressarem suas inquietações e demonstrarem poder de opinião. Fato esse que distingue sociedades evoluídas de não evoluídas. O que não é válido, é uma instituição de ensino perder seu poder de impor regras. E a juventude espelhar a demagogia, os vícios e o mau gosto da sociedade.

O mais dificíl de tudo é as pessoas pensarem de forma coerente. Terem pontos de vista semelhantes?Impossível ou próximo disso. O mais difícil é fazer essas meninas aceitarem que as regras foram dadas e devem ser cumpridas sem destruir o poder crítico na cabeça delas; fazê-las enxergarem as regras sociais de forma mais positiva. O mais difícil é uma sociedade jovem entender que as convenções sociais existem para apaziguar esse mar de pontos de vista. O mais difícil é fazer essas meninas crescerem numa sociedade confusa e cheia de estigmas, e mesmo assim evoluírem como mulheres, e no fim das contas como cidadãs.

Esse papo de direita e esquerda, machos e fêmeas para mim se resume em: ok, bravo meninas! Parabéns pelo questionamento, mas está escrito e determinado, shortinho aqui não. Ponto.

Artigo - Dia do Impeachment

Por meses fui ativo nesta rede social e fora dela contra o governo petista. Porém, hoje, estando prestes a testemunhar o impedimento da Dilma no congresso, não me sinto esperançoso como em um dia de final de copa do mundo.
Meu sentimento é na verdade de expectativa pelo início e continuidade de uma jornada. Está muito mais para partida de primeira fase que qualquer outra coisa. Somos a Jamaica abaixo de zero. Falta muito ainda. A utopia continua.
À todos os movimentos civis que mobilizaram a elite brasileira, colocando 6 milhões de aristocratas brancos, pretos, pobres, ricos, verde e amarelos nas ruas ...
Por favor, assim que aprovarem o processo de impeachment no congresso, a luta imediatamente passa a ser:
1. Derrubar Eduardo Cunha (não precisamos mais deste maníaco). Deve ser cassado, julgado e preso para começarmos com um bom exemplo.
2. Manter o foco na limpeza iniciada pela Lava a Jato.
3. Constranger os golpistas que assumirão. Sim entre os que votam pelo impeachment, existem golpistas. Aproveitando-se da massa que foi às ruas contra a corrupção simbolizada pela estrela do PT, estão os parlamentares oportunistas, que seguirão a desfaçatez e a tentativa de manter o regime cleptocrata eterno (isto não foi invenção do PT).
4. Impedir que medidas sejam tomadas para proteger corruptos que viraram a casaca.
5. Garantir a autonomia da Polícia Federal.
6. Garantir que os congressistas sintam-se novos alvos e assim votem pelo fim do foro privilegiado, mordomias mil e por uma reforma política a partir da tolerância zero à corrupção.
Derrubar o PT é a menor parte do golpe. Golpe contra a corja de homens públicos de diferentes legendas que há décadas toma conta de Brasília supostamente representando o povo.
Não deve existir partido livre da vigilância. Ideologias à parte, ficou provado que o Brasil não tem vocação bolivariana, foquemos na vigilância dos que ficarão.
Mesmo assim, mesmo com a sensação realista de que estamos longe do fim, será um alívio poder dormir este domingo com um sonoro:
Tchau, querida.
Ps.: Lula, no meio do caminho tinha um Cunha. Tinha um Cunha no meio do caminho. 
Único homem chantagista, inescrupuloso e mafioso tanto quanto tu.

Artigo de 19 de Abril de 2016 - pós Impeachment

Tchê, já me basta o Lula paz e amor. Por favor, não inventem um novo problema para o Brasil.
Pelo amor de deus amigos e amigas.

Transformar o "Bolsomito" (até então um personagem icônico pela sinceridade e caricato pela excentricidade), em exemplo de líder da República, e repetir o

que fizeram com o Lula ... Que de sindicalista ferrenho, adorador bolchevique foi elevado a pai dos pobres e suprassumo da honestidade, da democracia e do progresso.


Carência meu povo, estamos carentes!

Agora querem criar o Bolsonaro paz e amor?! Ou é carência ou é trauma cranioencefálico mesmo. Escorregaram na lama do PT e bateram a cabeça.

O povo não aprende.

Tolerar o Bolsonaro como um exemplo da pseudopluralidade política e da democracia brasileira (de um lado o esquerdopata Jean Willys de outro o fascita Bolsomito), vá lá.
Bolsonaro foi uma peça importante da oposição e representou a resistência da honestidade no congresso. Porém, paremos por aí.

Aceitar que a média das pessoas considerem o comportamento destes homens adequado para um líder (seja o povo da direita ou da esquerda), isso já é atordoante.
A massa uniu-se para derrubar a presidente que independente de ideologia representava uma corja que tomou o país. Agora parece perdida, em surto pós traumático, degladiando e soltando perdigotos de index em riste. Isso só pode ser ressaca pós impeachment e amanhã todos caem na realidade.

Nem Dilma, nem Lula, nem Jean Willys, nem Bolsonaro.

Se o Bolsonaro, Maria do Rosário, Willys e toda aquela cambada forem úteis na luta por reforma política e fiscal. Se forem peças atuantes para cassação do Cunha e aprovação das medidas de limpeza, já deram o que tinham que dar.