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Sunday, May 22, 2016

A Polêmica do Shortinho

Artigo publicado no facebook em 28 de Fevereiro de 2016.

"Polêmica do shortinho" (que tomou conta de Porto Alegre). Bom gosto ou mau gosto é uma questão de ponto de vista. E ponto de vista, meu amigo, é alguma coisa que mora entre a tua infância e tua vida adulta, entre a tua família e a cultura da tua sociedade. É um mix da tua essência (aquilo que você sente e não racionaliza) e aquilo que você aprendeu a identificar como certo ou errado.

No Brasil, perdemos a capacidade de discernirmos entre o certo e o errado sem o debate virar bate boca. Se é que um dia a tivemos. Em contra partida, "chegamos" próximos aos países evoluídos culturalmente ao ganharmos a internet para expormos opiniões. O brasileiro, velho bailarino alienado contumaz, vem se tornando a cada dia um opiniático ferrenho. Pena que ainda notam-se opiniões bastante confusas, conclusões frágeis e pouco enriquecimento social objetivamente.

Muitos criticaram o shortinho como sexualização estudantil. Outros defenderam a dureza da disciplina militar. Vi quem enxergasse sob a ótica feminista. E alguns poucos como uma demosntração da consciência política se manifestando espontaneamente naquela escola. Quem leu o manifesto sabe que não se tratava só de um shortinho. Outro dado relevante aqui: 98% dos argumentadores não leu o manifesto, não lê aquilo que compartilha, não lê jornal ou termina um livro que tenha começado.

É válido meninas de 16 anos expressarem suas inquietações e demonstrarem poder de opinião. Fato esse que distingue sociedades evoluídas de não evoluídas. O que não é válido, é uma instituição de ensino perder seu poder de impor regras. E a juventude espelhar a demagogia, os vícios e o mau gosto da sociedade.

O mais dificíl de tudo é as pessoas pensarem de forma coerente. Terem pontos de vista semelhantes?Impossível ou próximo disso. O mais difícil é fazer essas meninas aceitarem que as regras foram dadas e devem ser cumpridas sem destruir o poder crítico na cabeça delas; fazê-las enxergarem as regras sociais de forma mais positiva. O mais difícil é uma sociedade jovem entender que as convenções sociais existem para apaziguar esse mar de pontos de vista. O mais difícil é fazer essas meninas crescerem numa sociedade confusa e cheia de estigmas, e mesmo assim evoluírem como mulheres, e no fim das contas como cidadãs.

Esse papo de direita e esquerda, machos e fêmeas para mim se resume em: ok, bravo meninas! Parabéns pelo questionamento, mas está escrito e determinado, shortinho aqui não. Ponto.

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