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Thursday, July 07, 2016

Crônica 07.07.2016

Tenho várias coisas a agradecer por mais um ano completado de vida. É evidente que a vida tem daquelas coisas negativas, mas prefiro deixá-las de lado e refletir sobre as positivas. Não é só questão de que  "o segredo" da vida seja acreditar em filosofias do tipo: colhemos aquilo que plantamos, atraimos aquilo que pensamos e falamos. 

O seu bem estar está diretamente relacionado ao seu ponto de vista das coisas. Se você tende a reclamar das coisas acaba não saboreando as pequenas vitórias. Não saboreia porque encheu o seu cérebro de química ruim (a neurociência é implacável). Bem estar é um estado e não um fim.

A gente não envelhece. Não acordamos mais sábios. Não percebemos a idade. Tá, ok, a coluna parece as vezes meio rígida, comparada àquela de 10 anos atrás, uma festa animada causa ressaca incompatível com a vida no dia seguinte, o instinto paternal é mais aguçado, certas coisas não despertam mais tanto interesse que outrora, mas a grosso modo, tu tá ali. 

Tá ali, talvez um pouco destreinado, um pouco descuidado consigo mesmo, mas tá ali. Do mesmo jeito, a mesma cabeça e no fundo aprende a lidar com aquela sensação estranha do corpo e da mente do tipo: é isso mesmo? Aquele primo de 3º grau que nasceu quando você estava entrando na faculdade hoje já enche o saco para pegar o carro do pai dele? 

A noção de tempo as vezes nos prega peças. Se você descuidar vai se achar velho.

O tempo passa tão devagar que você não percebe, e não o contrário. Prefiro pensar que tantas coisas acontecem, tantos ciclos se encerram e outros se iniciam, que a gente quando volta a prestar atenção em algo deixado em segundo plano acaba traindo a si mesmo e culpando a velocidade do tempo. 

Sabe aquela lista de 100 coisas que você precisa fazer antes dos 30? Bullshit. Não caia nessa asneira, pois você vai chegar aos trinta ou frustrado ou com um certa falta de propósito caso não atinja o sucesso. É muito mais importante fazer lucidamente as coisas que a vida traz, do que listar planos idealizados e com prazos. Se você é do tipo de sujeito meticuloso é provável que não concorde, mas listas de propósitos de vida não servem para nada. 

Óbvio que é melhor ser uma pessoa que planeje o futuro próximo, mas definitivamente, não conheço nenhum amigo que tenha completado listas de tarefas extraordinárias e atingido um estado de espírito superior e permanente. Não. Ele só cumpriu uma meta planejada. Isso pode ser prazeroso, ok, mas por si só não traz felicidade. 

Lá no tempo do Platão, prazer significava a completa paz e baixo nível de desejo. Mais ou menos o que hoje temos por estarmos "zen". Prazer hoje em dia para muitos está diretamente relacionado ao senso de eficiência, de realização, conclusão, consumo. Bem diferente dos gregos, hoje lutamos por um prazer que pede mais prazer e não por um estado de espírito que se locuplete mesmo que seja por alguns minutos (aceitando que aquilo passa e serenamente preparando-se para enfrentar as fases piores). Passa, mas também volta. 

A velocidade com que buscamos, a ansiedade com que nos determinamos a atingir os objetivos é que muda tudo. Acabamos vivendo mais tempo buscando, atingindo, buscando, atingindo, buscando ... Do que vivendo tristezas que dão fundamento às felicidades, encerrando ciclos ruins, abrindo ciclos bons. Assim, sem o peso do objetivo estrito. 

Na psicanálise, corrijam-me os especialistas, o sujeito aprende a construir um quadrado de segurança dentro da cabecinha. 

"Qual teu nomezinho querida? ...hm, então Bruninha, imagine um local dentro da sua mente onde você vai esconder suas frustrações, pesadelos, ansiedades ... Então, joga tudo lá. Conseguiu? Não? Tá, então vamos falar mais sobre isso"... E assim você vai aprendendo a lidar com uma das maiores verdades da vida: para estar feliz é preciso aceitar a infelicidade e o infortúnio passageiro. É preciso fazer vista grossa (para não dizer esconder temporariamente) aquilo que te causa mal.

É construir a ferro, suor e fogo a coragem, força e serenidade para encontrar aquilo que te traz o bem. Acorda pela manhã joga toda coisa ruim, inseguranças e afins na caixinha mental e toca ficha negão. Vai em busca do que pode ser bom para você. Nada é fácil, e depois da idade de cristo você começa a entender que vale muito a pena valorizar as coisas boas, não cair na depressão filosofando sobre o mundo cruel e sem solução. Na superioridade dos outros. Focando nas metas que o vizinho atingiu e você não. Talvez, eu diria muito provavelmente, ele pense o mesmo de você. Lembre do tal ponto de vista. 

Foque no que interessa. É isso que faz você ter algo dentro de si que fale a favor do estado chamado felicidade. Mas não me entenda mal, isto não é autoajuda, quem sou eu para descobrir o segredo da filosofia da felicidade. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar Ícaro.

2 comments:

Unknown said...

Excelente reflexão para marcar a idade, o momento. Sempre estaremos recomeçando. Essa é a grande verdade: estamos sós nessa aventura terrena. E de uma coisa já me dei conta: é preciso coragem e às vezes sermos cabeça dura e mantermos nossas convicções. Digo o que eu digo. Mar calmo não faz bom marinheiro.

Unknown said...

Excelente reflexão para marcar a idade, o momento. Sempre estaremos recomeçando. Essa é a grande verdade: estamos sós nessa aventura terrena. E de uma coisa já me dei conta: é preciso coragem e às vezes sermos cabeça dura e mantermos nossas convicções. Digo o que eu digo. Mar calmo não faz bom marinheiro.