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Thursday, September 04, 2014

Tem algo errado aí.



O ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada "estereótipo".

Exemplos: "todo judeu é mesquinho", "todo  palestino é fundamentalista", "todo alemão é prepotente", "todo baiano é vagabundo", "todo carioca é malandro", "Todo  gaúcho é preconceituoso", "todo  pobre é ladrão".

Calma. Tem gente precisando segurar o ímpeto puritano e fazer uma autocrítica, antes de tocar pedra na Geni. Reflita se você não desliza nessas ou quaisquer outras formas de "generalizações superficiais". A menina que ofendeu o goleiro Aranha provavelmente já aprendeu com a humilhação pública desmedida. Foi criticada, sua imagem exposta mundo a fora e rotulada como um ser humano execrável. Teve sua casa apedrejada e familiares ameaçados. Isto é proporcional? Pessoas que defendem o fim do preconceito estão liberadas a sustentar o martírio desta infeliz? É justo o que fizeram com ela? Gostaria de entender o que leva a massa a agir em determinadas situações como um bloco uníssono e raivoso e em outras, ter atitudes tão deselegantes quanto ficar contida e condescendente  frente a barbaridades explícitas. Onde está a lógica?

É claro que devemos levar em consideração o relativismo ao pensar sobre quem sofreria mais com um ato preconceituoso ... se uma criança negra fantasiada de garrafa de Pepsi que vira meme nos whatsapps por aí, uma mulher que tem sua vida invadida após ter seu vídeo íntimo compartilhado pelo Brasil, um estudante de design de família rica chamado de "bixa Phyna", um médico de "coxinha" calhorda, ou um deficiente cujo apelido solene seja "perneta".

Vejo que está na moda sermos todos humanos (tudo junto e com hashtag na frente). Seguindo esta lógica, ainda não entendi como podem sofrimentos gerados por atos de intensidades semelhantes, serem digeridos e condenados pela sociedade de maneiras tão desiguais. Você luta pela igualdade e segue diferenciando ofensas verbais  pela cor ou condição social do infrator? Quem sofre mais? o alemão, o judeu, o palestino, o negro, o gaúcho ou o "perneta"? Até dá para considerar o argumento sobre a dívida do Brasil-branco com a comunidade negra frente ao nosso passado insólito, mas não vi nínguém se manifestar sobre o comentário do goleiro Aranha. Ele afirmou que todo gaúcho é racista em rede nacional. Foi um declaração em legítima defesa?

A guria foi uma criminosa? Foi. Racismo é crime. E a reação dos puritanos? A pobreza de espírito justifica a violência desencadeada? Uma mulher branca, pobre de espírito sabe lá Deus o porquê ... se por ignorância, má educação familiar, se por estar em um dia ruim, infeliz ou simplesmente por não ter o discernimento do ato que iria cometer ... é justo tripudiá-la como se fosse a versão atual de M. Madalena? Na minha opinião essa história de defender somente as minorias já é um preconceito absurdo. Defendam o bem estar comum, mas não ajam como fariseus, estarão milênios defasados. Levantem bandeiras, mas respeitem também. Sentir-se mais humano por proteger um indefeso ou um grupo discriminado não te inocenta de generalizações, não autoriza o desrespeito reacional. Esconder-se atrás da tua bandeira politicamente correta está virando moda. O nome disso é hipocrisia.

A questão aqui são os limites. A questão aqui é impunidade gerando desordem social e emocional. O ser humano não é, nunca foi e nunca será livre de preconceitos. Pessoas educadas aprendem cedo o poder lesivo de suas opiniões mais fantasmagóricas e passam a poupar seus semelhantes de manifestações da sua própria imbecilidade. O mal (não estou falando de crimes hediondos) está dentro de todo ser humano. Mas você não é bem vindo a sociedade se acessá-lo. Portanto controle-se. A evolução social não está na extinção dos possíveis estranhamentos entre grupos ou como está na moda dizer, entre a "maioria" e as "minorias". A evolução passa pela proganda da tolerância, combate à ignorância. A maioria e as minorias lutando pelo que é sadio ao nosso convívio. Passa pelos bons exemplos. Neste contexto ser politicamente correto não é cafona ou atitude reacionária, trata-se do bom senso. ... e eu não me atreveria a chamar isso de hipocrisia. Não sei se as redes sociais refletem a realidade, tomara que não.

Tem algo errado aí, e é mais baixo do que o "macaco" da Patrícia Moreira.

1 comment:

Unknown said...

Gostei da tua postura diante da hipocrisia reinante.